Anunciado como um documentário “sobre a revolução do crowdfunding“, “Capital C” dedica todo o seu tempo para apenas um aspecto do financiamento coletivo: pequenos empresários sonhadores levantando capital para seus negócios.

Os diretores Jorg M. Kundinger e Timon Birkhofer apresentam três estudos de caso: Zach Crain, o fabricante de meias para os pés e para garrafas da Freaker USA; Jack Robinson, um artista que desenha cartas de baralho em sua Federal 52; e Brian Fargo, famoso desenvolvedor do game Wasteland. Todos tiveram sucesso retumbante em suas áreas.

Estes exemplos mostram que é possível você largar aquele emprego que não lhe satisfaz e seguir seus sonhos e sua intuição. Mas, não pense que você não terá um chefe. Seus apoiadores e financiadores serão seus patrões. É pra eles que você terá que dar satisfações sobre seu progresso. E nem todos conseguem lidar com a pressão de receber dinheiro de terceiros. Outros não tem dimensão de como tocar o seu negócio após atingirem suas metas em plataformas como o Kickstarter, por exemplo. Crowdfunding não é pra qualquer um.

Quando a famosa Urban Outfitters que eu adoro, por sinal infringiu as patentes da Freaker USA, a startup não tinha meios para recorrer à lei. Ao saberem da situação, os apoiadores de Zach e sua trupe bombardearam a página da Urban no Facebook com mensagens de apoio à Freaker e outras do tipo “seus plagiadores de merda”. Resultado: a empresa se viu obrigada a retirar o produto plagiado de seu catálogo. Esse é o tipo de sentimento que uma campanha de crowdfunding desperta em seus apoiadores. As pessoas se sentem parte de algo que iniciou do zero e tomou forma e não toleram esse tipo de comportamento das grandes corporações que copiam uma ideia, levam sua produção para China e vendem seu produto por um preço mais baixo.

Crowdfunding é um tipo de financiamento que ainda está em desenvolvimento e, embora seja uma perspectiva animadora para muitos como os casos apresentados no documentário –, pode ser uma arena confusa para a maioria das pessoas. Os doadores recebem recompensas por suas contribuições, o que permite que os empreendedores levantem o dinheiro que precisam. Ou seja, “não existe almoço grátis”. O empreendedor terá que oferecer uma contrapartida para seu investidor, seja um desconto, uma edição limitada ou mesmo um produto personalizado. A campanha precisa ser bem planejada e criativa para atrair seus novos patrões.

Os cineastas não apresentam dados estatísticos para contextualizar o efeito desse fenômeno da economia digital, apesar de utilizarem alguns chavões como “as pessoas estão mais conectados do que nunca na história da humanidade“, é talvez o mais importante desenvolvimento social dos últimos vinte anose “é a maior mudança de paradigma desde a Revolução Industrial”. “Capital C” neste ponto serve como um documentário inspiracional no estilo do it yourself, em grande parte divertido e informativo. Ele captura uma mudança de paradigma importante em seus estágios relativamente iniciais, além de fornecer alguns insights sobre como o crowdfunding continuará a moldar a maneira como as ideias vêm em fruição para as próximas décadas.

No Brasil, temos várias plataformas para quem busca financiamento coletivo. Há algumas específicas para projetos sociais, animais, esportes, cultura e outros temas. Para encerrar, confira abaixo uma lista com as mais utilizadas no país.

Catarse www.catarse.me

Impulso www.impulso.org.br

Kickante www.kickante.com.br

Benfeitoria www.benfeitoria.com.br

Startando www.startando.com.br

Garupa http://garupa.juntos.com.vc

Ideame http://idea.me

Juntos www.juntos.com.vc

Salve Esporte www.salvesport.com

Sibite www.sibite.com.br

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27 anos, catarinense, escritor, empreendedor, growth hacker, guitarrista frustrado, marido da Laís. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Sócio do Crush Design — uma das 100 startups mais inovadoras do estado de Santa Catarina.

  • Taí um universo que desconheço por completo

  • Elucidativa! Obrigado por partilhar!