Há cinco anos eu escrevo no meu blog. Há três no LinkedIn. Há um em portais como HuffPost, Transformação Digital, Rock Content e be freela. No momento, escrevo meu primeiro livro após assinar um contrato com uma grande editora – será lançado em 2019; mais informações nos próximos meses.

Lembro que quando comecei a escrever eu não fazia ideia sobre quais temas abordar. Nem em como fazer as pessoas me lerem. Muito menos em como ganhar dinheiro com isso. Eu era apenas um moleque de 24 anos tentando ser visto na pequena Tubarão, no litoral sul de Santa Catarina.

Hoje eu vivo disso. A escrita paga minhas contas. A escrita me permite trabalhar de qualquer lugar do mundo. A escrita me coloca em conexão com pessoas incríveis. A escrita dá um propósito para o meu trabalhoacho que ficou claro a importância da escrita na minha vida, né?

Desde que comecei a escrever, em meados de 2013, meu grande objetivo por trás de “ser visto” era escrever um livro. Algo grandioso como Jack Kerouac ou Ernest Hemingway, meus heróis literários, fizeram.

Porém, nada de interessante acontecia na minha vida. Se Kerouac descrevia sua vida nômade no clássico “On the Road” e Hemingway usava suas experiências como correspondente de guerra na obra “Por quem os sinos dobram“, por outro lado, eu era apenas um jovem comum de cidade pequena lidando com problemas comuns que jovens de cidades pequenas lidam.

A ironia nisso tudo é que foram justamente esses problemas comuns que me fizeram chegar até aqui. Sem saber sobre o que escrever, eu costumava relatar minhas experiências cotidianas e profissionais em textos que misturavam meu olhar com aquilo que aprendia no MBA. Uma espécie de crônica profissional com fundamentação teórica no melhor estilo TCC. Não era exatamente o que eu mais gostava de fazer, mas os textos fizeram um certo sucesso no LinkedIn.

Nesses cinco anos meu jeito de escrever mudou bastante, assim como minhas referências, mas cinco elementos da minha escrita permanecem os mesmos. E é sobre eles que escrevo no artigo de hoje.

Interlúdio

Antes de entrar nos meus cinco elementos, um pequeno interlúdio.

Qual o seu objetivo com a escrita? Você trabalha com marketing de conteúdo? Você é blogueiro? Você é colunista em algum jornal ou portal? Você está escrevendo um livro? Você é um ghost writer?

Faço essas perguntas porque o meu trabalho hoje é uma combinação de quase todas essas coisas. Acredito que quem pretende ganhar a vida com a escrita deve ser versátil. No meu caso, o objetivo no longo prazo é um dia viver apenas da publicação de livros. Uma realidade bem difícil no Brasil e que apenas poucos escritores conseguem. Porém, estou na luta.

Enquanto esse momento não chega, pago minhas contas produzindo conteúdos para grandes marcas – você pode conferir um pouco do meu portfólio aqui.

Este artigo e as dicas abaixo são indicadas para qualquer tipo de profissional que trabalha ou pretende trabalhar com a escrita – aqueles que estão dispostos a assumir tudo o que vem com o título de “escritor”.

Vamos lá?

1 – Experiência

Hoje eu viajo o mundo e tenho a oportunidade de conhecer novas culturas, sabores e pessoas. Vivi em 1 ano o que não havia vivido em 28. Tudo isso, claro, tem influenciado no que escrevo. Porém, minha vida nem sempre foi assim. E não é assim para a maioria das pessoas.

O que eu aprendi nesses cinco anos é que todo mundo tem algo para contar. E sempre vai ter alguém para se identificar com as suas histórias.

Uma demissão, um contratação, o final de um relacionamento, o começo de outro… Cada experiência, por mínima que pareça, pode dar origem a um bom texto. O texto mais lido da história do LinkedIn no Brasil fala sobre pontualidade. O dia de todo mundo tem 24h. Todos já sofreram com atrasos alheios – ou já se atrasaram. A diferença é que o Marc Tawil transformou isso em história. E colhe os frutos até hoje.

2 – Autenticidade

A grande maioria dos artigos com técnicas de escrita são uma merda. Inclusive os que já escrevi ou escreverei sobre o tema, faço meu mea culpa aqui. Não pelo conteúdo apresentado, mas pelo efeito gerado. De certa forma, esses textos padronizam o estilo de escrita. Uma espécie de ABNT do marketing de conteúdo misturado com storytelling barato.

Para quem está começando, a tentação de copiar o estilo de escritores e produtores de conteúdo famosos é grande.

Veja o exemplo do LinkedIn. Algum americano descobriu que o algoritmo da rede privilegia publicações escritas com parágrafos curtos. Isso tem a ver com o modo como consumimos conteúdos pelo celular – de onde vem o maior acesso das redes sociais. Parágrafos longos tornam a leitura cansativa numa tela pequena.

Esse cara juntou essas frases curtas com elementos do storytelling como a tentativa de gerar identificação com o leitor, um bom “punchline“, uma resolução motivadora e uma call to action para vender algo e criou fórmula perfeita para viralizar seus conteúdos.

A tal fórmula foi replicada aos montes e, claro, chegou ao Brasil. Você certamente viu publicações nesse estilo na sua linha do tempo aos montes nos últimos meses.

E aposto que viu também muita gente reclamando disso!

Técnicas como essa funcionam por um período curto de tempo. Não são sustentáveis no longo prazo. É por isso que o escritor deve ser autêntico. Se preocupar mais com o conteúdo e menos com técnicas. Eu utilizo muitos desses recursos nos meus textos e sou um grande fã do storytelling, aquele bem feito, mas, eu sempre tento imprimir a minha voz.

Ou seja, eu escrevo para pessoas, não para algoritmos. Eu escrevo como eu falo. Eu escrevo como eu penso. Meus textos são como uma conversa com um velho amigo. Meus conselhos são os mesmos que eu daria para alguém que acabei de conhecer numa mesa de bar.

Ao trazer isso para a minha escrita, consigo tirar dos leitores comentários como “nossa, esse texto foi escrito pra mim“. Algo que nenhum algoritmo ou robô me disse nesses cinco anos…

3 – Confiança

dicas-escrita

— Você pode ler meu texto? Gostaria muito da sua opinião.

Talvez essa seja a pergunta que mais recebo no LinkedIn.

Cito o diálogo entre o Hemingway woodyallenano vivido por Corey Stoll em “Meia-Noite em Paris” e o aspirante a romancista Gil Pender, personagem de Owen Wilson, para lhe dizer algo que explicarei no final desta provocação.

Pender está hesitante quanto ao tema do livro que está escrevendo. De bate-pronto, o famoso autor de “Por quem os sinos dobram” retruca.

— Nenhum tema é horrível se a história é real e se o texto é claro e sincero.

O inseguro escritor agora pede uma opinião. Quer que Hemingway leia seus escritos.

O diálogo continua.

— Eu só queria uma opinião — diz Pender.

— Minha opinião é que eu detesto! — esbraveja Hemingway.

— Você nem leu…

— Detesto textos ruins. E se for bom, terei inveja e detestarei mais. Não queira a opinião de outro escritor. Escritores são competitivos! Se é escritor, seja o melhor escritor!

O que eu, Matheus, quero dizer com isso?

Confia no teu taco, cara.

Sua escrita não precisa, nem deve, soar como a dos seus escritores favoritos. E aqui entra de novo a questão da autenticidade. Quando você me questiona sobre o que eu acho do seu texto, eu vou te responder o que eu acho de acordo com os meus gostos literários – que muito provavelmente são diferentes dos seus.

E não me entenda mal: eu fico feliz quando alguém me pede uma opinião. Significa que, de alguma forma, eu sou uma referência para aquela pessoa. Meu ponto é que você deve encontrar o seu “eu literário” e ter confiança na sua escrita. Pedir opiniões pode limitar a sua criatividade.

Lembre-se sempre da polêmica frase de Henry Ford:

“Se eu perguntasse a meus compradores o que eles queriam, teriam dito que era um cavalo mais rápido”.

Ela pode ser extrema e causar controvérsias, mas, tendo em vista que a escrita é uma arte e como tal é subjetiva, penso que faz sentido trazê-la para o universo do escritor.

4 – Cadência

A cadência é o que faz eu gostar ou não de um artigo ou livro. Os professores de língua portuguesa que me desculpem, o mesmo para o pessoal da ABNT, mas a licença poética de uma vírgula como forma de pausa, de suspiro, de pensamento alto, mesmo quando nossa gramática diz que ela não deveria estar ali, é o que faz um parágrafo soar como música para mim.

Ler Jack Kerouac, citado no início do texto, é um exercício de desprendimento para os padrões linguísticos que carregamos desde cedo. Kerouac escrevia embalado pelo ritmo do jazz. Se o norueguês Karl Ove Knausgård, nosso contemporâneo, usa e abusa das vírgulas para organizar seus pensamentos, Kerouac escrevia como os adolescentes no Twitter. Sem ou com poucas vírgulas, emendando uma frase na outra, mas com cadência. Seus pensamentos estavam ali, organizados à sua maneira e, por incrível que pareça, de forma fluída.

Assista no vídeo abaixo Kerouac lendo um trecho de “On the Road” enquanto Steve Allen o acompanha no piano para visualizar o que quero dizer.

Essa cadência, essas palavras pausadas, as frases que fazem você ter vontade de ler o que vem a seguir, tudo isso se tornou uma espécie de marca registrada de Kerouac.

Lembram o que falei sobre autenticidade? Se ele copiasse técnicas de escrita de outros autores e se baseasse na opinião de terceiros, perderia sua voz e eu não estaria falando sobre suas obras mais de 50 anos depois.

5 – Consistência

Esse elemento é o que diferencia aqueles que tem sucesso e aqueles que ficam pelo caminho. Como falei, escrevo há cinco anos. O que você talvez não saiba é que meu primeiro pagamento por um texto aconteceu apenas quatro anos após meu primeiro artigo ir pro ar.

É importante mencionar que eu tinha um emprego fixo nesta época, em outra área. Assim como o empreendedorismo, a escrita não deve ser encarada como solução: é uma opção, uma escolha. Em qualquer área as coisas vão demorar para acontecer. Além de estar preparado, você tem que ser consistente com o seu trabalho.

Quer ver um exemplo de como as pessoas só veem as pingas que eu tomo, mas não veem os tombos que eu levo?

Quem visita o meu perfil no LinkedIn logo percebe que tenho mais de 100 mil seguidores. Porém, há um número lá que passa despercebido e é mais importante que isso – e também explica porque tanta gente acompanha o que escrevo.

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“Visualizar todos os 170 artigos”.

Cento e setenta artigos, meus amigos. Fora as publicações no feed.

E aí de vez em quando recebo mensagens do tipo:

– Matheus, tenho escrito artigos no LinkedIn, mas não estou tendo sucesso. O que você acha que posso melhorar?

Entro no perfil da pessoa e ela escreveu três artigos. Três. O último escrito há dois meses. Acho que a resposta para a pergunta está aí. Falta consistência.

Dica bônus:

Ok, como eu sou um profissional de marketing, ainda não vivo de livros e preciso pagar minhas contas, vou deixar uma call to action aqui no final.

Se você quer aprender a se posicionar no LinkedIn para ser reconhecido em sua área de atuação, conheça meu curso online de “Marketing Pessoal e Produção de Conteúdo no LinkedIn“.

Nas aulas eu ensino as mesmas estratégias utilizadas por mim até me tornar um dos brasileiros mais influentes da rede de acordo com o próprio LinkedIn em sua lista de Top Voices.

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Nômade digital que escreve, empreende e ensina. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Cofundador do be freela. Você também pode ler meus conteúdos no HuffPost, no Transformação Digital, Comunidade Rock Content e no Medium.