Não, você não leu errado. O título é este mesmo.

Não há dúvida de que estrelas do rock possam ser empreendedores criativos, bem como o contrário. Um exemplo recente é o caso do rapper Dr. Dre, cofundador da Beats, empresa responsável pelos famosos headphones que viraram moda nos ouvidos e cabeças de jogadores de futebol mundo afora. Em 2013 a Beats foi comprada pela Apple por US$3 bilhões.

Mas… e Kurt Cobain?

Pode parecer exagero chamar Kurt Cobain de empreendedor. Afinal, o cara ficou tão perturbado com o sucesso que se afundou nas drogas e tirou a própria vida para escapar da pressão.

O sucesso de “Nevermind“, maior êxito da curta carreira do Nirvana e um dos álbuns mais vendidos da história da música, não foi por acaso. Não foi um acidente de um gênio criativo.

Nevermind desbancou Michael Jackson do topo das paradas norte-americanas, fez de Cobain um ídolo global e abriu as portas para o grunge, a música de Seattle. Foi um divisor de águas não só para o Nirvana, que foi elevado a níveis de fama estratosféricos, como para a história da música pop. — (Revista Rolling Stone, 20/02/2012)

Um empreendedor é bem sucedido porque sua paixão por um resultado leva-o a organizar os recursos disponíveis da melhor maneira possível. Daí surge a inovação. Quando você olha o trabalho do Nirvana dessa forma, percebe que Kurt Cobain foi definitivamente um empreendedor criativo. Ele e os outros membros da banda sabiam o resultado que queriam.

Pessoas próximas ao Nirvana afirmavam que Kurt Cobain queria, de fato, ser um rockstar — por mais que tenha dito algumas vezes o contrário na televisão. A combinação inovadora de punk rock com música pop e acordes de guitarra dos anos 70 permitiram que a banda mudasse a face da música popular para sempre. E, mesmo que não tenha imaginado o quão grandes eles se tornariam, Cobain revelou no documentário póstumo “About a Son“, lançado em 2006, que o sucesso não veio por acaso: eles tinham um plano.

Confira os três elementos que impulsionaram o Nirvana ao topo das paradas. As lições de Cobain e cia podem ser aplicadas em qualquer empreendimento.

1 – Quebre o status quo

Isto é para os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. As peças redondas nos buracos quadrados. Os que veem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não têm nenhum respeito pelo status quo. Você pode citá-los, discorda-los, glorificá-los ou difamá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Eles empurram a raça humana para frente. Enquanto alguns os veem como loucos, nós vemos gênios. Porque as pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo, são as que de fato, mudam. — (Slogan publicitário da campanha “Think Different” da Apple, 1997)

A empresa de Steve Jobs — o qual adoro citar — mandou o recado acima em 1997 sobre quebrar o status quo. O primeiro passo para inovar é se rebelar contra o status quo da indústria ou comunidade a que pertence. No caso do Nirvana, a cena musical em Seattle era notoriamente anticomercial.

Bleach“, disco de estreia do Nirvana, fez — literalmente — muito barulho na cena musical alternativa de Seattle. Cobain e sua trupe poderiam seguir essa linha em seus próximos registros que teriam fãs garantidos. Mas eles queriam mais. Cobain queria criar canções híbridas com alguns elementos pops, na mesma linha do Pixies, mas havia uma certa resistência da comunidade e de sua própria gravadora.

Foi então que a banda procurou uma nova gravadora. Assinaram com a Geffen — uma gravadora do mainstream — e lançaram “Nevermind“. O resto é história. O hino grunge Smells Like Teen Spirit” estourou em todo o mundo e trouxe no embalo bandas como Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains.

2 – Misture inovação com cases de sucesso

A maioria das canções de “Nevermind” foi escrita antes de a banda entrar em estúdio. Quando a gravadora antiga rejeitou as ideias de Cobain para o álbum, ao invés de seguir as ordens do “patrão” e fazer mais do mesmo, a banda decidiu alçar voos maiores ao assinar com uma grande gravadora.

Com boas ideias e um background para executá-las, o Nirvana procurou Butch Vig, produtor musical que já havia trabalhado com o Sonic Youth — do qual Cobain era fã declarado —, e selecionou Andy Wallace para mixar o álbum. Combinando uma produção polida com uma estética punk a banda atingiu o topo das paradas. Foi aquela história de “organizar os recursos disponíveis da melhor maneira possível“.

3 – Esteja atento ao mercado e não tenha medo de mudanças

A estratégia inicial era lançar “Smells Like Teen Spirit” como o primeiro single do álbum para introduzir a banda para novos ouvintes e locutores de rádio. Isto abriria o caminho para “Come As You Are“, que seria o hit mais provável.

Foi aí que o plano se desfez.

Dizer que a canção rendeu melhor do que o esperado é um eufemismo monumental. “Smells Like Teen Spirit” fez tanto sucesso que a gravadora decidiu segurar o lançamento de “Come As You Are” como single.

A Geffen esperava que “Nevermind” vendesse no máximo 250 mil cópias — que é o que o álbum do Sonic Youth produzido por Vig tinha vendido. Até o início de 2016 foram mais de 10 milhões de cópias comercializadas em todo o mundo.

Em resumo

A história por trás de “Nevermind” e a mente criativa de Kurt Cobain nos trazem grandes lições de empreendedorismo.

  1. Seja um líder, não um seguidor. Sabe a Estratégia do Oceano Azul? Então…
  2. Existe uma linha tênue em que os empreendedores devem andar. Se você ignorar o desejo do mercado e da psicologia humana, certamente falhará. Ao mesmo tempo, deve confiar nos seus instintos. Steve Jobs (de novo ele) já havia dito uma vez: “As pessoas não sabem o que querem até você mostrar a elas“.
  3. Com a internet ficou mais fácil para os empreendedores criativos alcançarem um grande público. O que aconteceu com “Nevermind” foi algo raro e inesperado, mas ainda assim você precisa de um plano de marketing inteligente. E, claro, precisa estar atento ao que acontece à sua volta. No caso de “Smells Like Teen Spirit“, a gravadora foi esperta o suficiente para aproveitar por mais tempo o sucesso comercial da música.
  4. Escolha bem sua esposa ou marido e fique longe das drogas.

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28 anos, catarinense, escritor, empreendedor e freelancer em marketing digital. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Escreve também no HuffPost e no Transformação Digital.