A chave para a produtividade não é “simplesmente trabalhar ou suar mais“, escreve o vencedor do Prêmio Pulitzer, Charles Duhigg, na introdução de seu novo livro “Mais Rápido e Melhor“.

Autor do best-seller mundial “O Poder do Hábito” — onde explica por que fazemos o que fazemos —, Duhigg desta vez nos mostra como podemos ser melhores naquilo que fazemos contando os segredos da produtividade na vida e nos negócios através de oito conceitos-chave abordados em forma de estudo de caso. Ao ouvir pessoas bem sucedidas e produtivas em suas áreas de atuação, o escritor deixa claro que a produtividade não está relacionada à mais horas no escritório ou sacrifícios maiores. Na verdade, “a produtividade tem a ver com fazer determinadas escolhas de determinadas formas“.

Assim como em seu livro anterior, Duhigg fez um grande investigação — a lista de notas finais é extensa —, mas ao invés de inundar o leitor com gráficos e estatísticas, ele usa histórias específicas e anedotas para encapsular suas ideias. De descobertas neurológicas surpreendentes sobre o que nos motiva à forma como o corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos prepara seus recrutas para a incerteza da guerra; de como o Google e o programa televisivo Saturday Night Live criaram equipes eficazes às implicações do trágico voo 447 da Air France; existem perspectivas de produtividade em abundância na tapeçaria cuidadosamente tecida pelas histórias fascinantes contadas pelo autor.

Duhigg argumenta que, “(..)em termos simples, produtividade é o nome que damos as nossas tentativas de descobrir a melhor forma de usar nossa energia, nosso intelecto e nosso tempo conforme tentamos obter as recompensas mais significativas com o mínimo de esforço desperdiçado(..)“. Ou seja, o conceito de produtividade é único para cada pessoa. Um dia produtivo pra mim, por exemplo, é quando consigo realizar todas as tarefas que me propus a fazer no dia anterior. Isso pode incluir escrever um texto, ler um livro, praticar algum exercício. Para minha esposa, que é fotógrafa, seu dia produtivo pode ser aquele em que ela consegue editar um grande número de fotos num curto espaço de tempo. A única coisa que nos une dentro do conceito de produtividade é que, independente da tarefa desempenhada, só a alcançamos através da criação de hábitos.

A grata surpresa surge no inesperado apêndice, onde Duhigg revela como incorporou as lições estudadas em sua própria rotina. Repórter do The New York Times, promovendo “O Poder do Hábito“, escrevendo “Mais Rápido e Melhor” e tentando ser um bom pai e marido. Em outras palavras, uma pessoa como eu e você. Alguém na correria. Ele descreve, por exemplo, como fez para manter o foco através do seguinte conceito:

Imagine o que vai acontecer. O que virá primeiro? Quais são os obstáculos em potencial? Como você vai evitá-los? Contar a si mesmo uma história sobre o que você espera que aconteça facilita quando você tiver que decidir para onde dirigir sua atenção quando o plano encontrar a vida real.

E o que fazer com pequenas distrações do dia a dia como uma pergunta de sua esposa sobre o almoço ou as notificações do celular?

Imagine diversos futuros. Quando se obriga a pensar em possibilidades variadas — entre as quais algumas podem ser contraditórias —, você se prepara melhor para tomar decisões mais sensatas.(…)Quando obtemos informações e nos permitimos analisá-las, as opções ficam mais claras.

Estes exemplos de modelos mentais nos colocam firmemente no comando de nossas escolhas. Ao desenvolver a capacidade de antecipar vários futuros ou resultados e, colocando uma probabilidade em cada um, você aumentará significativamente seu poder de tomar melhores decisões. É basicamente o que escrevi sobre como hábitos simples tornaram minhas manhãs produtivas. Desenvolvi um modelo mental em que devo fazer as tarefas “banais” do cotidiano antes de ir pra cama e definir qual tarefa produtiva desempenharei na manhã seguinte (escrever, por exemplo), dormir cedo, acordar cedo, caminhar, tomar um café reforçado e aí sim iniciar meu dia de trabalho. E para que isso dê certo, devo pensar, ainda, nas probabilidades que podem tirar minha atenção — e devo informar as pessoas ao meu redor quanto à isso. Enquanto estou escrevendo, meu celular está em modo avião. Estou com fones de ouvido para evitar o ruído externo. Minha esposa sabe que estou concentrado no texto e, a não ser que haja algo urgente, ela não irá me interromper.

Este exemplo se encaixa na conclusão de Duhigg sobre a capacidade de sermos produtivos:

(…)se você aprender a reconhecer certas escolhas que para muitas pessoas podem não parecer óbvias, será capaz de se tornar alguém mais inteligente, mais rápido e melhor com o tempo. Qualquer um pode ser mais criativo, mais focado, mais capaz de formular metas e tomar decisões sábias.(…)

A única diferença é que ele sabe como fazer as perguntas certas e despertar a curiosidade do leitor. Sorte a nossa! “Mais Rápido e Melhor” soa como uma continuação de “O Poder do Hábito” e merece a sua atenção. O livro não oferece uma fórmula mágica, mas as histórias contadas por Duhigg com certeza lhe darão grandes insights para você ajustar seus métodos e melhorar a sua produtividade.


Transparência: A Editora Companhia das Letras me enviou uma cópia do livro como cortesia para fins de avaliação. O artigo é minha honesta opinião pessoal e imparcial.


PS: Muitos de vocês me adicionaram em meu perfil pessoal no Facebook. Adicionei algumas pessoas, mas as solicitações continuaram aumentando e tomei a decisão de criar uma fanpage. Isso facilita para os dois lados. Vocês não precisam ver minhas postagens pessoais e eu posso ter um controle de público. Por isso, peço que curtam minha página. Basta clicar aqui para acessá-la.


Faça parte do meu grupo fechado de dicas por e-mail clicando aqui. É grátis!

28 anos, catarinense, escritor, empreendedor e freelancer em marketing digital. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Escreve também no HuffPost e no Transformação Digital.

  • Matheus… Gostei muito do post… Pricipalmente quando fala sobre “focar e manter a meta sem deixar que distrações nos pertubem”… Ainda preciso me empenhar muito neste item… sou como uma “antena parabolica”, absorvo tudo ao meu redor e faço milhões de coisas juntas… Abs.

    • Obrigado pelo comentário, Bia! Confesso que também era assim, mas depois que estabeleci metas e criei hábitos, tudo ficou mais fácil!

  • Só dica mara nesse blog, amando..Bjus
    http://www.feedhi.com

  • Fátima Fiuza

    Alguns empregadores veem como produtivas pessoas que passam horas em seus serviços ou ficam escravas do relógio de ponto. Costumo dizer que não sou pião para trabalhar “batendo cartão de ponto”. Certos de que devemos criar regras e não perder o foco, mas nem sempre aquele que produz muito ou suficiente é o que passa mais tempo no trabalho.

    • Perfeito, Fátima! Tenho a mesma visão que você! Obrigado pelo comentário!