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comédia
co·mé·di·a

sf
1. [TEATRO] Representação teatral em que predomina a comicidade.
2. [TEATRO] Estilo cômico de uma peça teatral.
3. [CINEMA, RÁDIO, TV] Representação caracterizada por seu propósito de fazer rir.
4. [TEATRO] A arte de representar este gênero.
5. [FIGURATIVO] Fato caracterizado pela dissimulação.
6. [FIGURATIVO] O processo da vida como um todo.
7. [FIGURATIVO] Cena ridícula ou escandalosa.
8. [COLOQUIAL] Pessoa ou fato que provoca risos.
9. [PEJORATIVO] Situação marcada por uma farsa.
10. Assunto de pouca importância; soco.

Josh Tillman, o Father John Misty, poderia ter aberto Pure Comedy (2017) cantando que “a tragédia do homem começa assim”, mas a comédia diz muito mais: nós, Homo sapiens, somos totalmente ridículos –– trágicos a ponto de sermos cômicos.

A comédia do homem começa assim
Nossos cérebros são muito grandes para os quadris de nossas mães
E assim a natureza profetiza esta alternativa
Saímos meio-formados e esperamos que quem nos receba na outra extremidade
Seja gentil o suficiente para nos preencher
E, queridos, tem sido assim desde o começo

Pure Comedy, Father John Misty

Política, religião, consumismo, entretenimento. As armadilhas e os desvios da humanidade que despreza o trabalho da imprensa e baseia suas crenças em memes nos trouxeram para a Era da Pós-verdade.

Transformamos políticos em celebridades, celebridades em políticos, políticos em líderes religiosos, líderes religiosos em políticos e nossas opiniões numa suruba de ideologias, achismos e preconceitos onde o que importa não é a verdade, mas estar certo –– e lacrar. Lacrar é importante na Era da Pós-verdade.

Nosso conceito de sucesso, antes limitado ao ter –– ter uma casa, um carro e uma família ––, agora ganha a companhia do ser. Ser feliz encontrando um propósito para a nossa presença na Terra.

O trabalho agora precisa ter um sentido, não apenas pagar as contas. Uma carreira bem-sucedida não é mais avaliada por um ótimo salário, mas sim por estar fazendo o que se gosta –– o que aumenta ainda mais a pressão pelo ser e, por consequência, a venda de antidepressivos.

E, apesar de toda essa conversa masturbatória sobre salvadores da Pátria, avanços tecnológicos e conquistas científicas, nós, Homo sapiens, temos muitos problemas para resolver.

O relógio está correndo –– e a comédia do homem cada vez mais trágica.

“Eu odeio dizer isso, mas tudo que temos é um ao outro”, nos avisa Father John Misty.

Um escritor que vive pelo mundo e conta histórias. Autor do livro "Nômade Digital".