O ano é 2047.

Acordo com uma notificação de emergência. Alfred, meu assistente virtual, avisa que minha mãe não está bem. Através do meu relógio acesso o painel de controle de Pablo, robô doméstico que é o responsável por monitorar os sinais vitais daquela que me gerou. Pablito, como carinhosamente chamo aquele pedaço de lata, já havia diagnosticado o problema e receitado o remédio que a estabilizaria. Não sei o que seria da minha vida sem ele. Na tela de checkout aproveito para comprar umas flores. Minha mãe sempre as adorou. Em 1 hora um drone entregará o pacote em sua residência. Ela está numa praia em Santa Catarina. Eu, no interior de São Paulo.

Quando os robôs aprenderam a escrever textos melhores que os meus, fiquei desempregado. Assim como 53% da população mundial. Precisei me reinventar logo após completar meus 50 anos de idade. Não foi fácil, mas hoje sou o editor responsável pelos escritos de Rodney Copperbottom — você sabe, o primeiro robô a emplacar um best-seller mundial. E vou te falar que ele escreve tão bem que nem precisaria de um editor. Mas Rodney é generoso. A fama não subiu aos seus circuitos. Esse carinha sempre me tratou bem!

Alfred me avisa que o carro autônomo que levará eu e minha esposa ao parque chegará em 5 minutos. Utilizo o tempo para programar a limpeza do apartamento da família.

O Tesla 40, edição comemorativa de 2043 que marca os 40 anos de fundação da maior empresa automotiva da história, estaciona em frente ao pequeno prédio na Rua Nestor Trevisan, em Sorocaba. Morávamos na capital antes da invasão nazista. Nosso bairro é controlado por uma milícia de ex-militares, então temos alguma segurança por aqui. Basta não atrasar o pagamento.

***

“Fifteen Million Merits”, segundo episódio da primeira temporada da série antológica de ficção científica britânica “Black Mirror”.

A descrição acima poderia ter saído de um episódio de Black Mirror, mas, longe de soar sensacionalista, alguns estudos e acontecimentos recentes servem para ligarmos o sinal de alerta.

Em 2047 terei 58 anos. Minha mãe 81. Se tudo der certo, ainda estaremos vivos.

Mas, e nossas carreiras?

Eu ganho a vida escrevendo. Ela é professora — e provavelmente estará aposentada. Ou não, né, Temer?

Um estudo recente da Dell mostrou que 85% das profissões de 2030 sequer foram inventadas.

E em 2047? 100%?

Recentemente, um ex-executivo do Facebook largou tudo e se refugiou numa ilha. Segundo ele, em tom alarmista, um “apocalipse tecnológico” acontecerá nas próximas décadas. Sua previsão é de que mais da metade da população mundial estará desempregada em 30 anos. Antonio Garcia Martínez, que fez fortuna no Vale do Silício, diz que outros bilionários do setor também estão se preparando para o pior. Na sua opinião, a munição será a “moeda do novo mundo”.

“Há 300 milhões de armas nos Estados Unidos, uma para cada homem, mulher e criança, e a maioria delas estão nas mãos das pessoas que perderão seus empregos”, afirma.

Na última semana, os nazistas ganharam o noticiário mundial. Sim, os nazistas. Eles voltaram. E nos mesmos Estados Unidos onde mora Antonio Garcia Martínez. Historicamente, grupos que propagam o ódio, principalmente a xenofobia, surgem de tempos em tempos quando o desemprego começa a aumentar suas taxas. Imagine um mundo onde mais da metade da população mundial estará desempregada.

Não tenho respostas sobre como será o mercado de trabalho no futuro. Na verdade, tenho apenas perguntas.

Mas, se eu pudesse te dar um conselho, seria: acompanhe os avanços tecnológicos. Esteja atento e antenado ao que está acontecendo — principalmente lá fora. Estamos caminhando para uma Era onde, muito provavelmente, teremos que criar nossos trabalhos.

Então, não fique à mercê do destino.

Esteja preparado.

Com conhecimento.

Não com armas.

28 anos, catarinense, escritor, empreendedor e freelancer em marketing digital. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Escreve também no HuffPost e no Transformação Digital.

  • Guilherme Oliveira

    Excelente reflexão, Mateus! E vem a pergunta, que conhecimentos serão necessários? Muitas soft skills!

    • Muito obrigado, @disqus_ceS2epwAZi:disqus! Cara, também acho que seja por aí! 🙂

  • Mila Monteiro de Barros

    Fico sempre me perguntando se os humanos deixarão que isso aconteça antes que seja tarde demais… 50% da população desempregada? E o capital? Ainda estará nas mãos de humanos? Se sim, seremos donos dos robôs que nos substituirão e seremos remunerados por sua produção? Ou iremos para um modelo de “renda mínima”, onde milhares de robôs irão produzir tudo o que precisamos e então não precisaremos comprar nada? Haverá A.I. exterminando A.I.s rebeldes…? Robôs empregando robôs? E a cura não convencional? Seremos substituídos também? Será que passaremos por mais controles de natalidade a fim de reduzir a população desempregada? E esses nazistas aí? Não vai ter robô para contê-los???
    Adoro projetar o futuro, mas curto mais a vibe do Diamandis… Abundância!
    Agora o que eu e você podemos fazer para evitar algumas projeções bizarras?? O futuro está sendo construído agora, inclusive com o seu texto e com o meu comentário… Bjoooooooooooooo

    • @milamonteirodebarros:disqus, tenho os mesmos questionamentos, acredito que muita gente também os tenha, mas não temos respostas pra nada disso – apenas suposições! Hehe! 🙂

      Muito obrigado pelo comentário! Grande abraço!

  • Li outros artigos seus no Linkedin, gosto dos seus textos.
    No meu blog http://virtualsucesso.com escrevo alguns artigos sobre o emprego do futuro e como trabalhar no mundo digital.
    A concepção de emprego de hoje tem que mudar, pois precisamos nos preparar para o emprego do futuro onde drones, robôs, máquinas e computadores farão o que nós conhecemos hoje por trabalho. Acredito que nas próximas décadas haverá uma revolução com grandes mudanças, assim como foi a revolução industrial no final do século 20. Precisamos nos adaptar desde já para não sofrer o grande impacto da escassez de emprego no mundo.

    • Legal, @juliovianello:disqus! Vou acessar o seu blog!

      Também acho que será por aí! Obrigado pelo comentário!