Evaristo Costa:

Jornalista brasileiro que, de 2004 a 2017, foi âncora do Jornal Hoje na Rede Globo, canal de televisão mais famoso no Brasil.

Neymar:

Jogador de futebol brasileiro que, de 2013 a 2017, foi titular absoluto do Barcelona, um dos maiores clubes do mundo.

O que eles têm em comum?

Ambos trocaram uma suposta estabilidade pelo risco. E estão sendo criticados por isso na internet.

Estabilidade? Mas, eles não ganharão mais dinheiro?

Sim.

Evaristo, que não renovou o seu contrato com a Vênus Platinada, passará um período sabático com a família em Londres. Em sua volta, provavelmente se dedicará ao entretenimento e poderá participar de campanhas publicitárias. Ou seja, será bom financeiramente.

Neymar, garoto de 25 anos e de origem pobre, se tornará o jogador de futebol mais caro do planeta e receberá, segundo especulações, cerca de R$ 111 milhões por ano, na cotação atual.

Mas, onde está o risco nisso?

Milton Neves, dinossauro do jornalismo esportivo brasileiro, criticou a decisão de Evaristo. Para ele, “o menino errou“. Segundo Milton, “no mato onde nasceu é dito que nunca se apeia de cavalo puro-sangue“. O risco está em largar sua posição confortável como âncora de jornal para se aventurar no entretenimento. Por dinheiro, segundo quem o critica.

No caso de Neymar, de acordo com os críticos, “o menino errou” ao trocar o estrelado elenco do Barcelona de Messi e Suaréz, favoritíssimo em qualquer competição que disputa, para fazer parte do Paris Saint-Germain, clube da fraca liga francesa e que nunca venceu uma Champions League. O risco está em não conseguir títulos de expressão com o PSG e, aos poucos, cair no ostracismo. Por dinheiro, segundo quem o critica.

Por que estão sendo criticados?

Somos conservadores. Precisamos de um porto seguro. Nas opiniões que pipocam por aí, nos conselhos aos meninos, fica claro que as críticas são direcionadas ao largar uma oportunidade de ouro para ir em busca de dinheiro — mais dinheiro, visto que, pra gente, eles já tem o suficiente.

Mas vejo uma certa ousadia nessas escolhas.

bom, Matheus, cadê a ousadia em trocar de emprego por mais dinheiro?

Evaristo terá que bancar a decisão atuando numa área que lhe é desconhecida. Se optar pelo entretenimento, terá que entregar audiência. Se optar pela publicidade, seus anúncios terão que dar retorno para as marcas.

Neymar terá que bancar o investimento do PSG dentro de campo. Terá que entregar resultados, como qualquer outro trabalhador em qualquer outra empresa. Tem que ter culhões para ter um alvo de mais de €200 milhões nas costas. O moleque tem ousadia e alegria — ba dum tss!

, mas, de novo, cadê a ousadia?

Evaristo estará sob a pressão dos críticos: assim como aconteceu com a ex-colega de Rede Globo, Fátima Bernardes, terá que se reinventar. Tente fazer isso com milhões assistindo

Neymar estará sob a pressão dos críticos: assim como aconteceu com o francês Paul Pogba, até então responsável pela transferência mais cara do futebol mundial — e paga com as vendas de camisa de outro jogador, para você que se pergunta como essas transferências movimentam tanto dinheiro —, Neymar terá que liderar sua nova equipe. Se for bem sucedido, entrará para os livros de história através do primeiro título da Champions League alcançado pelo PSG. Se fracassar, sua contratação será considerada um mico, assim como está ocorrendo com Pogba…

E o que temos a ver com tudo isso?

Nada.

Encerro o texto por aqui porque tenho que trabalhar.

28 anos, catarinense, escritor, empreendedor e freelancer em marketing digital. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Escreve também no HuffPost e no Transformação Digital.

  • Quando se tem algum sucesso, acho que estamos mais confortáveis a decidir os próximos passos. E para quem tem sucesso, é preciso novos desafios para estimular a nossa criatividade – e aceitar um clube menor, no caso do Neymar, mas por mais dinheiro – pode ser um desafio interessante. Não estar habituado a ganhar pode fazê-lo ver as coisas de maneira diferente, e é aí que nasce a liderança. Estar no topo é muito bom, mas voltar a um nível mais baixo e tentar subir é ainda mais interessante!

    • Que comentário legal, @disqus_mrAs48RCqv:disqus!

      Na minha visão futebolística, o cara cansou de ser um mero coadjuvante. Ele tem talento pra ser protagonista e buscou isso em outro lugar. Isso acontece em qualquer empresa, inclusive – vários talentos de diversas áreas fazem o mesmo quando se sentem estagnados. A questão do desafio também é um grande motivador! 🙂

  • Guilherme Oliveira

    Belo texto e reflexão, Mateus, totalmente a ver com zona de conforto e desafios!