Na comunidade das startups, aquelas que são avaliadas em mais de US$1 bilhão são conhecidas como “unicórnios”. Elas são, portanto, comparadas a uma criatura mágica e mítica de beleza incrível. É como naqueles filmes da Sessão da Tarde onde o garoto sem jeito se apaixona pela garota mais popular do colégio. Tudo nela é perfeito e ele fantasia o dia em que a terá em seus braços. E esse dia nunca chega. No meu ponto de vista, um unicórnio sempre será um mito. E, hoje, a impressão que tenho é que as startups viraram uma cenoura pendurada em nossa frente, uma daquelas que nós perseguimos como se fosse a garota mais popular do colégio.

Tenho pensado muito sobre startups nos últimos 3 ou 4 anos. Lendo, observando, aprendendo e tendo um olhar mais crítico sobre o ecossistema das startups brasileiras. No Brasil, surgem ótimas ideias a cada rodada de negócios ou eventos de empreendedorismo, mas, muitas se mostram grandes fracassos com o tempo. Fracassos que levantam R$500 mil ou mais com “investidores anjos” e resultam em nada. Ou, como diríamos, resultam em aprendizado! já que não é algo construtivo dizer que alguém de fato falhou.

Me parece que houve uma banalização no processo de se ter uma ideia, fazer um plano de negócios, apresentá-lo para possíveis investidores e levantar capital. Todo mundo tem uma ideia. Todo mundo acha que sabe fazer um plano de negócios. A impressão é que as startups se tornaram apenas mais um veículo para dar dinheiro a uma comunidade de pesquisadores, graduados, doutores e aventureiros, assim como tem sido por tanto tempo com editais e bolsas do governo.

Não estou dizendo que o conceito de startup é uma porcaria ou então que os modelos atuais de empreendedorismo são falhos. Me considero um empreendedor, embora não como sócio de uma startup de tecnologia, mas dentro das minhas ações do cotidiano. Lido com incertezas o tempo inteiro, uso técnicas dos melhores livros sobre gestão, tento pensar fora da caixa. Penso em mim como uma startup pessoal, operando em um ambiente altamente competitivo e incerto com recursos limitados.

Meu ponto é que startups não são a solução para tudo. Técnicas de design thinking, canvas e lean boards são meras ferramentas. E, na maioria das vezes, são as mesmas coisas que as pessoas tem feito desde sempre, apenas com nomes e termos diferentes! O hype de startups, os capitais de risco, os investidores anjos e todas essas coisas já estavam lá em diferentes formas. Então, desculpe-me se a imagem que tenho em minha mente sobre os unicórnios modernos se pareça com essa abaixo.

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Ilustração: Susie Cagle.

Talvez eu esteja exagerando. Uma parte de mim quer montar em um unicórnio bonito rumo ao Vale do Silício e viver o hype. Ter um MacBook Pro com adesivos de fundações sem fins lucrativos e agir like a boss quando o puxar para fora da minha bolsa para checar meus e-mails. Sinceramente, espero que a realidade desafie minha posição provocante e startups sejam o meu veículo para algo melhor. Sério.

Por enquanto, eu sigo meu próprio sistema. Trabalhando, lendo e escrevendo, tentando entender, antes de tudo, o mundo em torno de mim. Tentando entender o espírito empresarial e equipando meu arsenal com todas as ferramentas que possam ser necessárias no meu caminho para a realização profissional. No geral, tudo se resume em trabalho duro, como tem sido durante décadas. O problema com as startups é que, nas mentes das pessoas, elas significam um atalho. Um caminho mais curto para fazer muito dinheiro rapidamente. Mas isso, claro, é só a minha opinião. Não desista do seu novo aplicativo revolucionário por mim. Não desista de procurar por chifres nas cabeças de cavalos.

28 anos, catarinense, escritor, empreendedor, growth hacker, guitarrista frustrado, marido da Laís. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016.