Enquanto espero o metrô na Estação República, região central de São Paulo, me pego pensando em como vim parar aqui. Não estava nos planos. Eu deveria estar neste exato momento em algum café de Lisboa, capital portuguesa, comendo pastel de nata ao invés de escrever estas linhas. Esse era meu planejamento para o primeiro trimestre de 2019, pelo menos.

O que eu não contava é que a vida tinha outros planos para mim. E isso não é, necessariamente, algo bom. A vida cagou para o que eu planejei.

Não pense, aliás, que esse texto é algo do tipo X lições que aprendi quando a vida cagou para o que eu havia planejado. Não é. Também não vou inserir clichês como depois da tempestade vem a calmaria ou então dizer que Deus tinha outros planos para mim. Ainda não aprendi nada com tudo isso, as coisas seguem nebulosas do lado de cá e não sou a pessoa mais religiosa do mundo.

Todo esse papo motivacional pode soar legal em palestras e a fé, de fato, é algo que pode ajudar a seguir em frente. O que não te contam nestes discursos é que existem diversas variáveis que fogem do seu controle e podem afetar diretamente seus planos. E não há o que se fazer a não ser redirecionar a rota. E ter calma. Calma é importante.

Essas variáveis podem ser o fim de um relacionamento, como foi o meu caso, uma demissão, uma crise no seu mercado, a morte de alguém querido, um problema de saúde ou até mesmo um desastre ambiental. Acontecimentos onde a vida real destrói seu planejamento e a sua capacidade de tomar decisões –– o que também foi o meu caso ao errar na estratégia de divulgação de um infoproduto no mesmo mês em que assinei meu divórcio.

Ok, talvez agora você esteja com os dedos coçando para me escrever que quem não se planeja, planeja falhar. De fato, um mínimo de planejamento é necessário para que você alcance seus objetivos. Porém, além de planilhas e planos de negócios, a principal coisa que você tem que ter em mente ao desenhar um planejamento é que ele pode dar errado. E que se ele der errado você terá que deixar todas suas frustrações de lado rapidamente para seguir em frente.

Afinal, você não quer que a vida te pregue mais uma peça, né?

Sempre tenha um plano B –– e um C

Seja na vida pessoal ou profissional, sempre planejei minhas ações –– muitas vezes de forma tão exagerada que os objetivos ficaram apenas no papel. Nos últimos três anos praticamente tudo que planejei e tentei deu certo.

O que eu percebi é que, mérito à parte, eu tive sorte. Sim, sorte. Sorte de a vida não ter atrapalhado meus planos. E, de novo, não te dizem isso em palestras motivacionais. Além de trabalho duro, foco, planejamento, etc, você precisa de sorte. Por que digo isso? Porque em muitas vezes arrisquei muito alto e eu não tinha um plano B estruturado. Se algo desse errado nessas ocasiões eu poderia ter pago um preço bem alto.

Quando me vi completamente sozinho em um apartamento em Tel Aviv, Israel, há mais de 12 mil quilômetros de distância da minha cidade natal, me dei conta de que minha vida estava de cabeça para baixo e eu sequer tinha ideia de como recomeçar.

Me faltou um plano B –– e um C –– para lidar com as vontades e o sadismo do universo.

E, ok, talvez essa seja a lição deste texto.

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Nômade digital que escreve, empreende e ensina. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Cofundador do be freela. Você também pode ler meus conteúdos no HuffPost, no Transformação Digital, Comunidade Rock Content e no Medium.