Se você escreve, faz vídeos ou tira fotos, você é um produtor de conteúdo. Independente da rede, da forma de distribuição ou se faz ou não isso profissionalmente.

Eu produzo conteúdos na internet desde, pasmem, 2004! Na adolescência circulei por Fotolog, Orkut e MySpace. Durante a faculdade criei alguns blogs (o primeiro é de 2008 e se chamava The Supertramp, um prelúdio do que seria minha vida 10 anos depois), fui bastante ativo no Twitter (tenho perfil desde 2009) e costumava fazer textões no Facebook.

2013 foi o ano em que peguei de vez o gosto pela escrita. Criei um blog que leva meu nome (e que mantenho até hoje) como uma espécie de portfólio online. Graduado em Relações Internacionais, minha ideia, na época, era escrever análises sobre os principais acontecimentos geopolíticos e econômicos para ser descoberto pela Le Monde Diplomatique.

Lembro ter escrito uns cinco artigos, não ter sido descoberto pela Le Monde Diplomatique (obviamente) e ter desistido da ideia em poucos meses. Aquele tal de imediatismo, sabe?

No mesmo ano iniciei um MBA em Gestão de Negócios e mudei meu foco para o empreendedorismo. Lia livros e mais livros sobre o tema pensando em como e quando teria uma ideia incrível que me deixaria rico. A ideia não veio, mas passei a registrar meus aprendizados no blog – principalmente sobre marketing.

2014 não teve grandes emoções e eu já tinha aceitado meu fracasso como produtor de conteúdo. No final do ano seguinte, desmotivado em meu emprego atual, pensei em atualizar meu perfil no LinkedIn, criado em 2011 e nunca mais utilizado.

Para a minha surpresa, o LinkedIn tinha deixado para trás a imagem de “currículo online” e se transformado numa plataforma de conteúdo. Como eu tinha algum material no blog voltado para a área profissional, retomei aquela ideia inicial de criar um portfólio online para ser visto e republiquei diversos dos meus conteúdos na rede.

Porém, mais uma vez, nada aconteceu. Depois de exatamente trinta textos publicados no LinkedIn, desisti. Na minha visão, eu já estava velho demais (!!!) e já tinha gasto muito tempo e energia com isso. Deveria me mexer e arrumar um emprego de verdade.

Felizmente, após ver uma notícia sobre uma estratégia de marketing inusitada da banda Radiohead, resolvi escrever um texto. Sem pretensões, só para registrar aquilo. E não é que Thom Yorke e sua trupe mudaram os rumos da minha carreira?

O texto, que não considero como um dos meus melhores, começou a fazer barulho no LinkedIn. Foi destacado em canais do Pulse e logo os textos antigos também começaram a ver a luz do dia. Meus conteúdos finalmente estavam sendo lidos. No ano seguinte eu seria considerado pelo próprio LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede.

Meu caso é uma mistura de um pouco de sorte (estar no lugar certo na hora certa), uma boa intuição, uma pitada de talento e muita determinação. Nesse artigo separei seis dicas que eu queria que alguém tivesse me dado quando peguei o gosto da escrita lá em 2013. A dica fundamental, que é ter consistência, não está na lista abaixo porque penso ter ficado bem claro que ela é indispensável para que um produtor de conteúdo tenha sucesso.

Vamos lá?

1 – Esqueça o perfeccionismo

Palavra preferida dos entrevistados quando questionados sobre “seus maiores defeitos”, o perfeccionismo nos trava. E, travado, não há como fazer sucesso.

Não busque a perfeição. Escreva, revise uma ou duas vezes e clique em “publicar”. Não pense muito sobre isso.

2 – Referências são legais, mas tenha sua própria voz

Há uma linha tênue entre se inspirar e imitar suas referências. E eu vejo a segunda ação acontecer com frequência com produtores de conteúdo. O resultado é uma horda de robôs escrevendo ou até gesticulando da mesma maneira.

Uma preocupação minha quando escrevo, e isso vem desde sempre, é produzir conteúdos como se fossem conversas. Esse é meu estilo e, embora influenciado por outros autores, eu consigo imprimir minha própria voz neles.

Conversando com a Débora Alcântara (que você deveria seguir por aqui) da ORNA, recebi um feedback muito legal que exemplifica isso. Ela disse que lia meus artigos imaginando uma “voz” (sem nunca ter me ouvido falar) e que, quando finalmente a ouviu, sentiu que a “voz literária” imaginada por ela se parecia com a minha “voz original”. Ou seja, eu consigo imprimir nos meus textos a minha própria voz.

3 – Para quem está começando, a quantidade é mais importante que a qualidade

Daqueles meus trinta textos iniciais, só não tenho vergonha hoje de uns três ou quatro. Essa “vergonha” ocorre porque com o passar dos anos evoluímos, mudamos opiniões e buscamos referências diferentes.

Porém, não é só isso. Hoje, já com uma carreira estabilizada, tenho focado cada vez mais na qualidade. Tenho escrito bem menos do que antes.

Quando comecei a escrever para valer em 2015 eu tinha uma rotina insana de produzir três artigos longos por semana. Nem sempre eu acertava a mão, mas isso aumentava minhas chances de ser visto. Bastava um dos três textos “bombar“. E isso começou a acontecer com frequência à medida que eu praticava mais e ganhava confiança.

4 – Tenha seu próprio canal

No começo do texto falo em Fotolog, Orkut e MySpace. Redes que hoje ensaiam uma volta, mas que estão no limbo da internet – juntamente com os conteúdos produzidos pelos usuários no início dos anos 2000.

O problema em concentrar toda a sua produção em alguma rede é que mudanças em algoritmos podem te afetar no longo prazo. E, claro, pode acontecer de a rede simplesmente deixar de existir e você perder todo o seu trabalho.

Tenha em mente que esses espaços são “alugados”. Então, crie um blog e uma newsletter. São formas de você ter um certo controle sobre sua produção. No caso do blog, você ainda tem a vantagem de aparecer nos resultados de busca do Google – basta estudar o básico de Search Engine Optimization (SEO).

5 – A distribuição é fundamental

Hoje o LinkedIn é minha rede principal. Porém, para ser lido na rede, não dependo apenas do tráfego interno.

Minha newsletter, meu grupo no Facebook e meu perfil no Instagram são fundamentais para que meus textos sejam distribuídos para os leitores. De alguma forma ou outra, quem me acompanha acaba vendo meus conteúdos criados no LinkedIn mesmo que eles não apareçam em seus feeds.

6 – Um bom produtor, antes de tudo, é um bom consumidor

As pessoas me perguntam de onde vem a criatividade para escrever tanto sobre tanta coisa. Ela não vem. Eu vou atrás dela.

A grande maioria das minhas ideias surge enquanto consumo algum tipo de conteúdo. Ócio criativo, pessoal.

Portanto, se você quer ser um produtor de sucesso, seja um bom consumidor. Leia livros, assista documentários e ouça podcasts.

Dica bônus:

Se você quer aprender a se posicionar no LinkedIn para ser reconhecido em sua área de atuação, conheça meu curso online de “Marketing Pessoal e Produção de Conteúdo no LinkedIn“.

Nas aulas eu ensino as mesmas estratégias utilizadas por mim até me tornar um dos brasileiros mais influentes da rede de acordo com o próprio LinkedIn em sua lista de Top Voices.

Nômade digital que escreve e empreende. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Cofundador do be freela. Você também pode ler meus conteúdos no HuffPost, no Transformação Digital e na Comunidade Rock Content.