Qual a moeda mais valiosa do século XXI?

Bitcoin? Litecoin? Monero? Ripple? Cardano?

Na minha opinião, nenhuma delas.

A moeda mais valiosa da nossa época não tem valor financeiro.

Em 2018, ter a atenção das pessoas é o ativo mais importante que você, sua empresa, produto ou serviço pode ter.

Tipo o que eu estou fazendo neste exato momento enquanto escrevo para uma comunidade engajada de 100 mil pessoas que me acompanham semanalmente por aqui – toda terça-feira pela manhã você encontra um novo artigo no meu perfil no LinkedIn e no meu blog.

Mas, como produzir conteúdos que prendam a atenção das pessoas em meio a um emaranhado de memes e vídeos de gatinhos fofinhos?

A engenharia de um conteúdo viral

É comum ver pessoas falando de marketing com certo desdém.

“Ah, isso é marketing!”.

“Marketing puro! Pensa que está enganando quem?”

Tenho uma notícia para você, leitor: tudo é marketing. As pessoas estão a todo momento tentando vender algo. Você me lê neste momento porque tento vender uma ideia. Essa tela luminosa por onde você me lê, aliás, chegou até você por causa do marketing.

E é ele, o marketing, através de sua distribuição, que tem o poder de viralizar algo.

Um conteúdo viral, antes de se tornar viral, percorre um longo caminho por raízes subterrâneas que o trazem para a superfície (e para os grupos de WhatsApp). Podemos chamar essa frase bonita simplesmente de distribuição.

Criações que, em outras épocas, nunca veriam a luz do dia, chegam diariamente em nossos smartphones através das mais variadas distribuições – que tem origem lá no marketing. O fato é que hoje vivemos na melhor época da história para se criar um conteúdo viral. Para o bem ou para o mal.

Mas, deixando os memes e os gatinhos fofinhos de lado, como você, profissional autônomo ou parte de uma empresa, pode criar um conteúdo viral?

Vou utilizar como exemplo o próprio LinkedIn.

Familiaridade: guarde essa palavra

A arquitetura da mente humana é antiga e as mais diferentes gerações compartilham suas necessidades mais básicas: entender e ser entendido. Ou seja, para que uma pessoa compartilhe por conta própria algum conteúdo seu ou da sua empresa, ela precisa encontrar alguma familiaridade com o conteúdo em questão. Uma ideia que já passou por sua cabeça, mas nunca foi verbalizada.

É por isso que quando alguém compartilha uma experiência pessoal no LinkedIn, seja um relato sobre largar tudo ou mesmo uma reflexão sobre reuniões que poderiam ter sido um e-mail, esses conteúdos viralizam. Uma ideia familiar é mais simples de ser processada.

Conteúdo relacionado: Os brasileiros desconhecidos que fizeram sucesso no LinkedIn em 2016 (Revista ÉPOCA)

Mesmo que o leitor nunca tenha largado tudo de fato, por exemplo, ele certamente já pensou sobre isso, bem como já participou de alguma reunião improdutiva. Em ambos os casos há familiaridade e, se há familiaridade, você tem a atenção das pessoas. Bingo!

conteúdo viral

Então, existe uma fórmula para viralizar um conteúdo?

Não. O conteúdo pode ser o rei, mas a distribuição é o seu reino.

Não adianta nada você criar um conteúdo incrível e familiar ao leitor se ele não for lido. Minha falecida avó dizia uma frase que carrego comigo desde sempre: “quem não é visto, não é lembrado“.

Minha avó não era uma profissional de marketing de conteúdo e sequer teve a oportunidade de utilizar um smartphone para compartilhar vídeos engraçadinhos pelo WhatsApp, porém, a sabedoria popular de sua frase faz total sentido se usarmos como analogia para a distribuição de conteúdo.

Quando comecei a escrever artigos no LinkedIn, no final de 2015, minha ideia era clara: ser visto. Morando no interior de Santa Catarina, eu não tinha muitas oportunidades para crescer profissionalmente.

Parafraseando Belchior:

“Eu era apenas um rapaz latino-americano, sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior”.

Decidi criar conteúdos sobre minha área de atuação porque pensei (e pensei certo!) que essa seria uma ótima maneira de mostrar o que sabia para profissionais fora do meu círculo social. Uma espécie de portfólio online. Deu certo. Tem dado certo.

Porém, não fosse a distribuição dos conteúdos feita pelo próprio LinkedIn, através de seus canais oficiais, eu jamais teria sido “descoberto”. Após exatamente 30 artigos escritos e tentado a desistir do plano de “ser visto”, um artigo de minha autoria foi destacado no Pulse por um dos editores do LinkedIn. Foi meu primeiro viral. Depois vieram mais alguns.

Ou seja, meu ponto é que você pode até seguir um roteiro de escrita e falar sobre temas familiares ao leitor, mas se não tiver uma pitada de sorte, estar no lugar certo e na hora certa, seu conteúdo pode ser um fracasso – independente da plataforma.

“Nossa, isso foi escrito para mim!”

Os primeiros comentários no texto podem te dar uma ideia se o seu conteúdo tem potencial de viralizar ou não. Se você ler um comentário como a frase acima que está entre aspas, saiba que é um ótimo sinal.

Como falei no início do texto, para se chegar na familiaridade, você precisa escrever sobre uma ideia que já passou pela cabeça do leitor, mas nunca foi verbalizada. Ou seja, você precisa que as pessoas que leiam o seu texto pensem que aquilo foi escrito para elas.


PS: Se você quer aprender minhas técnicas para produzir conteúdos com potencial de viralização, conheça meu curso online de “Marketing Pessoal e Produção de Conteúdo no LinkedIn“.

PPS: O conceito de “familiaridade” foi retirado do livro “Hit Makers: Como Nascem as Tendências“, do autor Derek Thompson. (link comissionado).

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Nômade digital que escreve, empreende e ensina. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Cofundador do be freela. Você também pode ler meus conteúdos no HuffPost, no Transformação Digital, Comunidade Rock Content e no Medium.