Você se vê como um escritor?

Se a resposta for “não“, talvez seja hora de mudar essa percepção. Você é um escritor. Assim como eu. Assim como qualquer outra pessoa. Você escreve mensagens de texto, e-mails, relatórios, cartas de apresentação, etc.

E vou além: escrever bem é a habilidade mais importante da “economia da atenção“. E não adianta apenas ser um ótimo escritor; é preciso ser eficaz!

Nós nos comunicamos de forma escrita o tempo todo. Nossas carreiras dependem disso. Você já sentiu a sensação de ser mal interpretado ao escrever algo no Facebook ou num e-mail? Isso não tem nada a ver com suas habilidades literárias. Tem a ver com eficácia.

Você não pode escapar da escrita. Nem sempre você conseguirá enviar um áudio pelo WhatsApp, por exemplo. E em muitos casos nem deve. O fato é que a escrita está enraizada em nosso dia a dia e tem apenas um objetivo: levar as pessoas a agirem.

Um dos mais notáveis escritores de todos os tempos, Stephen King, disse certa vez que “escrever é seduzir“.

Seduzimos o tempo todo no trabalho. E não falo de paqueras ou flertes, isso é assédio. Falo de persuasão. Falo de “Fazer Amigos e Influenciar Pessoas“, como no clássico de Dale Carnegie. Independente do objetivo final da sua escrita, seja fechar um negócio ou conseguir uma oportunidade, você quer atenção. Então, você seduz. E quando consegue seu objetivo, significa que sua escrita foi efetiva.

Muitos desperdiçam tempo de suas agendas com reuniões desnecessárias, sejam elas presenciais ou por Skype, quando um e-mail bem redigido  e efetivo resolveria o problema. Há casos e casos, mas eu, particularmente, sou um cara que fico puto com isso.

Mas, como escrever de forma efetiva? Bom, o que escreverei abaixo não é um manual, tampouco uma aula de português. São três hacks super simples para você aplicar imediatamente em sua escrita diária. Vamos lá!

1 – Esqueça as frases padrão

Nesse ponto, a faculdade mais atrapalha do que nos ajuda. No trabalho, caso você não seja um pesquisador científico, esqueça a escrita acadêmica. Não é assim que as pessoas interagem no dia a dia, concorda?

Utilizar a escrita acadêmica num e-mail ou numa rede social, além de não deixar sua mensagem clara, fará com que suas palavras não soem como você.

Por exemplo, quando foi a última vez que você utilizou alguma das frases abaixo?

  • Ademais;
  • A fim de;
  • A despeito de;
  • De modo geral, concorda-se que;
  • Tende-se a discordar de.

Se você não está escrevendo um TCC, não faz sentido utilizar essas sentenças em suas mensagens. Ninguém fala assim.

E o mesmo serve para a escrita comercial.

  • Não hesite em me contactar;
  • Estou escrevendo para informá-lo que;
  • Tenho o prazer de anunciar;
  • Prezado Senhor;
  • Fico inteiramente à disposição.

São palavras sem sentido. Vazias. Sem autenticidade. Lhe fazem parecer mais um no meio do rebanho.

Se você não trabalha numa indústria totalmente formal, como um advogado ou um engenheiro, por exemplo, pode cortar todas as coisas acima. Não é eficaz as pessoas pensarem que você é um robô.

Lembre que sua escrita deve levar as pessoas a agirem. Então, você deve soar como um humano. É isso que torna a escrita humanizada. E é por isso que se fala tanto hoje em dia em atendimento humanizado. E é por isso que eu detesto chatbots.

Em linhas gerais, pense o seguinte: se você não usa aquela palavra pessoalmente, não a utilize por escrito.

2 – Escreva corretamente em apps de mensagens instantâneas — incluindo a pontuação

Ok, você pode estar com pressa, você pode preferir enviar um áudio, entre outras desculpas e opiniões. O ponto não é esse.

Desde a época do mIRC (atestado de velhice aqui), passando por SMS, MSN e, mais recentemente, pelo WhatsApp, eu sempre escrevi corretamente. Nada de “internetês“, abreviações ou frases sem pontuação.

Quantas vezes você já recebeu uma mensagem sem um ponto de interrogação e ficou na dúvida se aquilo era uma pergunta ou uma afirmação? Além disso, escrever corretamente em meios de comunicação de mensagens instantâneas é uma ótima forma de praticar seu português.

Pra você ter ideia da importância que isso tem no nosso dia a dia, recentemente um amigo foi chamado para uma entrevista de emprego — e posteriormente contratado — porque, nas palavras do recrutador, quando conversaram via WhatsApp, percebeu que ele “escrevia tudo certinho” — a vaga era para trabalhar com marketing de conteúdo. Ou seja, esse meu amigo passou sua mensagem de forma eficaz — e utilizando vírgulas e pontos finais.

3 – Se preocupe com o design da escrita

Isso não tem nada a ver com as palavras ou com a língua portuguesa. A maneira como a sua escrita é apresentada também determina sua eficácia. É o tal do princípio da escaneabilidade.

A maioria dos e-mails é redigido assim:

modelo-email-ruim

O problema com o e-mail acima é que hoje nosso pensamento é digital. Isso significa que as pessoas digitalizam tudo antes de lerem. Por quê? Devido ao excesso de informação que chega de todos os lados diariamente. Para não perder tempo, procuramos por bullet points — também conhecidos como marcadores.

Veja o exemplo abaixo. Percebe como é uma leitura mais agradável para os seus olhos?

modelo-email

Para que sua escrita fique mais atraente para quem estiver do outro lado da tela, leve em consideração o seguinte:

  • Pressione enter a cada duas ou três frases;
  • Utilize marcadores;
  • Utilize negrito quando algo for muito importante (apenas na palavra ou frase em questão, não no parágrafo).

A chave é nunca exagerar. E você pode aplicar essa estratégia a quase tudo. Artigos, e-mails, relatórios, cartas de apresentação, etc.

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28 anos, catarinense, escritor, empreendedor e freelancer em marketing digital. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Escreve também no HuffPost e no Transformação Digital.

  • Gabriel Leite

    Ótimas dicas!

  • Hyerohydes Gonçalves Dos Santo

    Grato por essas excelentes dicas, bastante úteis para mim.
    Um grande abraço, amigo escritor Matheus de Souza!

    • Fico feliz que o artigo tenha sido útil pra você, @hyerohydesgonalvesdossanto:disqus!

      Grande abraço!