Conteúdo é rei. Esse é o mantra do marketing de conteúdo.

Mas vamos um pouco além. O feedback é um dos elementos-chave de qualquer trabalho. Se você está em 2016 e trabalha com criação de conteúdo, seu termômetro certamente será as curtidas, compartilhamentos e comentários em seus textos ou vídeos.

Hoje cedo li um artigo excelente do Marcelo Lombardo sobre a morte do inbound marketing. É uma ótica interessante de uma possível futura bolha que pode estourar nos próximos anos devido ao simples fato de praticamente todos os criadores de conteúdo estarem fazendo as mesmas coisas. Como Lombardo cita bem, as tais das “7 dicas para fazer qualquer merda” — e que tanto já fiz, não serei hipócrita.

Sou um cara que gosta de experimentar coisas novas — não falando de drogas, relaxa. E é daí que vem meu interesse por growth hacking e inovaçãoNos últimos textos experimentei um estilo de escrita diferente, meio beatnik, com alguns palavrões e uma dúzia de verdades incômodas. Que é o que eu gosto de ler. É — ou deveria ser — a essência por trás do que escrevo.

O último experimento foi uma pausa. Hoje é 05/10/16 e meu último texto foi publicado em 23/09/16. Pra um cara que desde fevereiro deste ano estava publicando três artigos semanais é um grande período de tempo sem gerar conteúdo. Tudo bem que, de certa forma, essa experiência foi forçada por algumas demandas do Projeto CR.U.SH, mas de qualquer maneira ela se fazia necessária pelo simples motivo de que eu precisava organizar minhas ideias.

O novo experimento será, na verdade, um velho experimento, mas em circunstâncias diferentes. Antes de escrever nas segundas, quartas e sextas, eu criava conteúdo apenas nas quartas-feiras. E voltarei a fazer isso a partir dessa semana. A diferença, agora, é que já tenho uma audiência.

Por que?

A qualidade sempre vence a quantidade. Mais vale um ótimo texto por semana do que três bons textos semanais.

A Era das Curtidas e como o marketing de conteúdo está matando o… conteúdo

O que eu descobri ao fugir do padrão nos últimos textos e também com minha pausa foi que eu estava focado em agradar os outros. E, em alguns casos, esses outros nem são humanos. São algoritmos. Pra um escritor, esse tipo de comportamento mata a criatividade.

Explico.

Comecei a escrever em 2013 pelo simples fato de que eu gosto de escrever. Ponto. A partir do momento em que essa atividade ganhou corpo e passei a receber feedbacks positivos da minha então recém-criada base de leitores, tentei ao máximo agradá-los nas publicações seguintes. E, quando descobri que meus textos poderiam ter mais alcance através da otimização do meu blog para o SEO, estudei-o incansavelmente até que os resultados aparecessem.

E não há nada de errado em querer agradar quem consome o seu conteúdo, não me entenda mal. Mas, veja bem: quando fui eu mesmo e criei um conteúdo mais pessoal, recebi centenas de comentários personalizados. O pessoal fugiu do “ótimo texto” e, assim como eu, compartilhou suas experiências. E é esse tipo de feedback que perdemos na Era das Curtidas. Eu prefiro 100 comentários escritos com o coração do que 1000 sem alma. Na luta diária por mais cliques e alcance orgânico, esquecemos do elemento humano por trás das telas de computadores e smartphones.

Quando escrevemos um texto pensando nos algoritmos do Google ou em superar o número de curtidas da publicação anterior, perdemos nossa essência. E os leitores estão percebendo isso, vai por mim. Sempre adorei blogs pessoais — por isso escrevo sob meu próprio nome e não criei uma marca — justamente por causa da proximidade entre escritor e leitor. Além disso, as pessoas se interessam pela vida das outras pessoas. É por isso que revistas e sites de fofoca fazem tanto sucesso. Como seres humanos, estamos naturalmente interessados na vida dos outros.

Assim, quando se trata de geração de conteúdo, as “7 dicas para fazer qualquer merda” são realmente uma merda. E isso acontece porque os textos não são escritos com a alma de quem os escreve. É um conteúdo robótico, já que a motivação por trás das palavras é um algoritmo. Não quero desmerecer de maneira alguma quem faz esse tipo de trabalho, porque hoje ele é algo realmente necessário dentro de uma estratégia de marketing digital, mas isso pode ser feito de forma mais humanizada.

E vou te falar que durante este meu processo de aprendizagem, me sentia frustrado quando um texto que eu considerava bom não tinha um alcance legal. Isso me deixava ansioso e estressado. Eu estava mais preocupado com a quantidade de curtidas, compartilhamentos e comentários do que em criar um conteúdo realmente bom.

A cura disso?

Procurei primeiro me satisfazer com a escrita, depois os outros e, se não ficar muito na cara e tirar a essência do negócio, o Google.

Então minha dica é: se você gosta de escrever, trabalha ou quer trabalhar com marketing de conteúdo, tenha em mente quem é você, o que torna sua visão de mundo original e que tipo de marca você quer deixar no mundo.

As outras dicas vocês recebem assim que cadastrarem seus e-mails na minha lista. Zoeira. Mas eu realmente tenho uma lista. ¯\_(ツ)_/¯

Nômade digital que escreve e empreende. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Cofundador do be freela. Você também pode ler meus conteúdos no HuffPost, no Transformação Digital e na Comunidade Rock Content.