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Dizem que não se compra um livro pela capa, mas lembro de entrar numa livraria anos atrás e ser fisgado por uma ilustração de um sabão cor de rosa. Era a capa de Clube da Luta, livro que deu origem ao clássico filme de 1999 com Edward Norton, Brad Pitt e Jared Leto.

Desde então Chuck Palahniuk se tornou um dos autores que mais admiro. Em Assombro, um romance de histórias construído a partir de 23 contos, cheguei a me contorcer na cadeira lendo uma das cenas, tamanho o detalhismo –– por vezes perturbador –– da escrita de Palahniuk.

Quando soube que ele havia lançado um livro contando como é seu processo criativo na escrita –– Consider This: Moments in My Writing Life after Which Everything Was Different (ainda sem versão em português) ––, tratei de garantir uma cópia. E aqui estão as 5 principais dicas que aprendi com o consagrado autor de Clube da Luta.

1 – Não escreva para que gostem de você

Não escreva para ser apreciado. Escreva para ser lembrado“.

É só ler qualquer coisa de Palahniuk para perceber que seu objetivo não é ser amado pelos seus leitores. O autor costuma escrever de maneira criativa sobre temas obscuros, muitas vezes niilistas, que a maioria dos escritores jamais ousaria mexer.

Em Clube da Luta, por exemplo, o personagem Tyler Durden cria sabão a partir de gordura humana roubada de uma clínica de lipoaspiração (!!!). A obscuridade dos temas de suas obras gera desprezo em muita gente, mas Palahniuk não escreve para ganhar prêmios de popularidade. Ele explora tópicos que provavelmente ficarão nas mentes dos leitores –– duvido você esquecer tão cedo dessa informação do sabão.

Portanto, escreva a história que somente você pode escrever. Não deixe que sua escrita seja podada por uma necessidade de aprovação. Exponha-se.

2 – Expresse verdades complexas em palavras simples

O trabalho de uma pessoa criativa é reconhecer e expressar as coisas para os outros. Os melhores escritores parecem ler nossas mentes e escrevem exatamente o que nunca conseguimos colocar em palavras”.

Você certamente já leu um texto e pensou: “Nossa, parece que foi escrito pra mim”. Em Hit makers: como nascem as tendências, Derek Thompson chama isso de familiaridade. Para o autor, conteúdos virais nascem a partir de situações que já foram vividas ou passaram pela cabeça dos leitores, mas que nunca foram externalizadas por eles.

Palahniuk dá o exemplo da escritora Nora Ephron que, em seu livro O amor é fogo, escreveu: “Quando você é solteiro, sai com outros solteiros. E quando você faz parte de um casal, sai com outros casais”. Uma maneira simples de expressar uma verdade universal.

Seu trabalho como escritor é prestar muito mais atenção no mundo ao seu redor do que as outras pessoas. Desenvolva os olhos, ouvidos e nariz de um escritor. Aprenda a enxergar as verdades ocultas da sociedade e as expresse de uma maneira que seus leitores possam entendê-las.

3 – Ouça seus leitores

“Quando você conhece um leitor, é a sua vez de ouvir”.

Mesmo que você não seja um escritor famoso, não é difícil obter feedbacks sobre a sua escrita. Basta ter a coragem de publicar seus escritos em um blog ou no LinkedIn para receber um ou outro comentário.

Ok, a primeira dica diz para você não escrever para que gostem de você, mas ouvir as opiniões dos seus leitores, ainda que eles sejam poucos, pode te dar um norte para entender o que funciona ou não na sua escrita.

É tentador ligar o foda-se e não escutar os feedbacks, mas críticas construtivas são sempre bem-vindas. Invista tempo para ouví-las.

4 – Liberte seu artista interior

“Se você for um bom escritor, não se importe em ser um artista ruim. Ray Bradbury pintava. Trumam Capote fazia colagens. Norman Bailer desenhava. Considere alguma forma de arte visual para complementar sua escrita”.

Tudo que você faz para estimular a sua criatividade afeta a forma como você escreve. Há uma razão pela qual tantos profissionais criativos possuem hobbies artísticos –– fotografia, música, pintura, etc. Criatividade gera criatividade. A arte nutre a arte.

Seja pintando, escrevendo um diário, compondo ou simplesmente ouvindo música, desenvolva novos hobbies criativos. Eles alimentarão seu cérebro.

5 – Prepare-se para uma longa jornada

“Parafraseando a escritora Joy Williams (…) ‘os escritores devem ser inteligentes o suficiente para criar uma ideia brilhante, mas sem graça o suficiente para pesquisar, digitar, editar e reeditar, comercializar o manuscrito, revisá-lo e revisá-lo'(…)”.

Palahniuk quer que os aspirantes a escritores saibam que a jornada será árdua. E eu sei que não é a primeira vez que você deve ouvir isso, mas é sempre importante lembrar.

Escrever desperta uma parte interna de nós que não sabíamos que existia antes de abrirmos o editor de texto ou o caderno. Expressar nossas verdades complexas, independentemente se seremos lidos por 10 pessoas ou 10 mil, é uma longa jornada –– não apenas profissional, mas principalmente de autoconhecimento.


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Um escritor que vive pelo mundo e conta histórias. Autor do livro "Nômade Digital".