Jogue no Google a frase “o que eu aprendi” e você verá que os produtores de conteúdo têm aprendido as mais variadas coisas com as mais variadas situações. São lições aprendidas com alguma série, com o fim de algum relacionamento, com uma demissão ou até mesmo com um casal de idosos que decidiu viajar o mundo de moto –– sim, também tenho minha parcela de lições aprendidas com coisas aleatórias.

Nós produtores de conteúdo fazemos isso, e me incluo aqui, porque conseguimos bons resultados com esse tipo de texto fazendo algo teoricamente simples: analogias, muitas vezes vazias, com elementos da cultura pop que são familiares ao leitor. Escrever o que você aprendeu com o meme do momento ou sobre as X lições que fulano(a) –– que está em evidência –– te ensinou sobre determinado assunto é garantia de likes e engajamento.

Mas, até que ponto ser refém dessa fórmula batida de produção de conteúdo é saudável? Onde entra a relevância no que você produz? Você quer, de fato, educar seu público ou está apenas atrás de likes? Cadê a sua criatividade? Você é um produtor de conteúdo ou um replicador de memes?

As respostas para as perguntas acima são bastante pessoais. Cada um sabe dos seus corres. Neste artigo dou a minha visão de como enchi o saco desses templates que invadiram o mundo do marketing de conteúdo nos últimos anos. Não é, de maneira alguma, uma verdade absoluta. É apenas um relato sincero do que aprendi nos últimos seis anos escrevendo na web.

Você não precisa tirar uma lição de tudo

Depois que você é “picado” pelo vício de escrever textos sobre o que você aprendeu fazendo tal coisa é difícil assistir uma série sem pensar em produzir um conteúdo com as lições que você –– supostamente –– aprendeu com ela.

No último final de semana comecei a assistir duas ótimas séries na Netflix: Atlanta e After Life. Ambas, de fato, trazem ótimos ensinamentos. Mas, será que eu realmente preciso escrever um artigo sobre elas ou posso simplesmente me limitar a fazer o que fiz neste artigo ao dizer que são duas ótimas séries?

Esse vício, além de tudo, atrapalha o lazer. Como produtor de conteúdo que bebe nas mais variadas fontes, acabei perdendo o simples prazer de sentar no sofá e assistir uma série por puro entretenimento –– eu sempre fico com o celular ao lado esperando algum insight que possa surgir para eu encaixar em um texto. Ou seja, é como se eu estivesse trabalhando mesmo no meu tempo livre. Isso é insano. Não precisamos tirar uma lição de cada momento das nossas vidas; podemos apenas nos divertir, viver um pouco, se distrair.

Você não precisa ter uma opinião sobre tudo

A principal lição que aprendi escrevendo textos sobre o que aprendi tem a ver com relevância. Se você entrou em qualquer rede social no último final de semana certamente leu ou assistiu algo sobre a Bettina e a Empiricus.

Li algumas análises legais sobre todo o caso, outras nem tanto, vi muita gente surfando na onda pra ganhar likes, mas a real mesmo é que muitos produtores de conteúdo se esforçaram criando textos e vídeos que serão esquecidos na próxima semana. A verdade crua dessa situação toda é: foda-se. Não me importo de onde veio o dinheiro da Bettina, não me importo em pular uma propaganda no YouTube se eu não gostar do conteúdo, não me importo com todo esse buzz.

Meu ponto é que todos esses conteúdos criados sobre o caso Bettina/Empiricus são datados, ou seja, ninguém se importará mais com isso no médio e longo prazo. Não fará mais sentido. Não tem relevância. Assim como ninguém mais se importa com a Luíza que está no Canadá.

Você não precisa ter uma opinião sobre cada nova polêmica da internet apenas para surfar uma onda e ganhar likes. Foque sua produção em temas que seguirão relevantes nos próximos anos. Tenho artigos escritos entre 2015 e 2016 sobre temas genéricos que seguem me trazendo resultados. Por outro lado, já gastei um tempão escrevendo sobre o pedido de demissão do Evaristo Costa enquanto fazia uma analogia com a transferência do Neymar pro PSG (pra ganhar o seu like e gerar discussão) e esse conteúdo se perdeu no buraco negro da internet.

Entendeu onde quero chegar?

O que você realmente precisa

o que eu aprendi escrevendo

Se você quer uma analogia,

te darei uma.

Pense que seu conteúdo é uma mensagem em uma garrafa –– como na música do The Police. Você o criou com carinho, enrolou o papel cuidadosamente, o colocou na garrafa e a jogou no mar.

Anos depois a garrafa é encontrada na praia. A pessoa que a encontrou desenrola o papel e começa a ler aquele seu conteúdo escrito lá atrás. É sobre uma tal de Bettina que tem 1 milhão de reais em patrimônio.

A pessoa não entende nada, não vê a menor relevância naquilo, rasga o papel, recolhe o lixo e vai embora.

Se você quer uma moral para essa história,

te darei uma.

Pense bem naquilo que você vai jogar no oceano da internet; ou correrá o risco de ninguém nunca mais abrir a sua garrafa.

Nômade digital que escreve, empreende e ensina. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Cofundador do be freela. Você também pode ler meus conteúdos no HuffPost, no Transformação Digital, Comunidade Rock Content e no Medium.