Steve Jobs é frequentemente retratado como um ícone. Um cara que virou o jogo diversas vezes. Um inovador. Porém, ao mesmo tempo, é retratado como frio e sem coração. Esse seu lado sombrio pode ser visto nos vários livros e filmes feitos a seu respeito. O último lançamento sobre sua vida (que eu tenho conhecimento) foi o inflexível documentário “The Man in the Machine” que bate na tecla de que Jobs era uma pessoa má fora de seu local de trabalho, esquecendo de mostrar seu verdadeiro talento.

O documentário falha ao não mostrar que, apesar de seus defeitos, Jobs era uma pessoa compreensiva. Uma pessoa sem empatia não conseguiria ser um visionário que conseguiu criar produtos que são uma extensão do usuário. Sem dúvida aparecerão outros livros e filmes que mostrarão esse lado escuro de Jobs, mas ele não deveria ser definido como um homem sem coração.

A Apple é conhecida por seu design limpo e simples. “Menos é mais”, dizia Jobs. Desde o primeiro dia a empresa tem pregado uma filosofia de design de simplicidade e foco. Seus produtos são elegantes e, talvez por isso, mais da metade das casas nos Estados Unidos usem um produto da Apple. Essa filosofia de design e foco de Jobs foi baseada na empatia. Ele queria criar produtos que tivessem uma ligação pessoal com o usuário. Seus produtos sempre foram projetados com o usuário final em mente.

Isto é como os designers, sejam eles de móveis ou aplicativos, devem pensar sobre seus produtos. Devem colocar o usuário em primeiro lugar. O “não” deve virar uma palavra constante no vocabulário destes profissionais. Uma das mais célebres histórias de Jobs, documentada em sua biografia oficial escrita por Walter Isaacson, fala da vez de quando ele retornou para a Apple em 1997 e viu a empresa totalmente sem foco, perdida e à beira da falência. O foco havia deixado de ser a experiência final do usuário. Com uma extensa gama de produtos e periféricos, não havia tempo para trabalhar no design e construir as “obras de arte” de outrora. A Apple havia perdido qualidade. Durante uma reunião, Jobs pegou um pincel atômico, caminhou descalço até um quadro branco e lá desenhou uma tabela com quatro quadrados. Dentro de cada um, escreveu “consumidor”, “pro”, “desktop” e “portátil”. Afirmou que era apenas daquilo que precisavam, e as equipes deveriam se dedicar àqueles quatro grandes produtos. “Menos é mais”, lembra?

Seus produtos continuam a afetar as nossas vidas em maneiras novas e revolucionárias anos após as suas concepções. Esse é o sucesso que vem com um design empático. Jobs mudou o mundo de uma maneira não convencional através da empatia. Isso mostra que ele não era um homem cruel e frio. Ele se importava com as pessoas ao ponto de colocar tecnologia intuitiva e simples na mão das pessoas. 

Se você tem interesse pelo tema, lhe convido a conhecer o Projeto CR.U.SH. Assim como Jobs, também queremos mudar o mundo através da empatia. Queremos tornar o design menos elitizado e mais democrático. Em nossa concepção, a democratização do design não é a criação e fabricação de produtos baratos, para que mais pessoas possam pagar por eles. Pra gente, democratizar o design é fazer com que mais pessoas e empresas tenham acesso aos projetos. Desta forma, a fabricação aberta, além de diminuir custos, possibilita a construção de comunidades e redes de colaboração, e permite a cocriação da economia do futuro e seus processos.

O mais famoso slogan publicitário da Apple dizia “Pense diferente”. O Projeto CR.U.SH é um manifesto de que é possível fazer as coisas de forma diferente. É um convite para que as pessoas e empresas se empoderem do design e transformem suas vidas, seus espaços e, porque não, o mundo?

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28 anos, catarinense, escritor, empreendedor, growth hacker, guitarrista frustrado, marido da Laís. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016.