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Este texto faz parte de uma troca de correspondências entre os escritores Matheus de Souza e Murillo Leal. Durante a quarentena, toda sexta-feira, um dos autores escreve uma carta no Expresso Tailândia-Brasil.

Leia a carta anterior do Murillo aqui.

Outra curiosidade é que eles não utilizam o nosso calendário. Estamos em 2563. Mas te confesso, Murillo, que as notícias desse futuro distópico não são animadoras. As pessoas seguem pensando apenas em seus próprios umbigos, Bolsonaro continua despejando merda pela boca e empreendedores de sapatênis colocam Amoêdo como salvação. Nada de novo no front.

A saudade que tenho é de viver, Murillo. E como vivivemos bons momentos em São Paulo, não é mesmo? Hoje me vejo preso dentro da minha própria ideia de ser livre. Afinal, o que é ser livre? O que é essa tal de liberdade que tanto buscamos? Ela existe? A própria busca pela liberdade é uma prisão que nos cega. Fiz tantos planos dentro dessa possibilidade infinita de conhecer novos lugares, cores, amores e sabores que minha visão ficou turva e não enxerguei o que estava diante de mim. No sul, como tu sabes. A vida nômade é maravilhosa, mas começo a me questionar se não chegou a hora de criar raízes. Talvez sejam meus quase 31 e essa maldita dor nas costas falando por mim.

Churrasco vegetariano na Tailândia.






Publicado originalmente na página do Expresso Tailândia-Brasil no Medium.

Um escritor que vive pelo mundo e conta histórias. Autor do livro "Nômade Digital".