Desde a última sexta-feira 13, os ataques em Paris tomaram conta dos noticiários e das redes sociais. Não se fala em outra coisa. Trazendo para o nosso quintal, não está fácil ver colegas no Facebook comparando essa tragédia ao rompimento das barragens de Mariana (MG) ou então cuspindo preconceito e ódio contra muçulmanos. Nessa era onde tudo se compartilha, mas nada se pesquisa, uma geração de cabeças não-pensantes está despejando todas suas frustrações e rancores em comentários maldosos na rede.  Muitos, porém, não fazem ideia do que está acontecendo na Síria (escrevi aqui sobre isso) e culpam os refugiados pelos ataques. Eles, na verdade, também estão fugindo do Estado Islâmico e, assim como os franceses, são vítimas de extremistas religiosos. A propósito, um casal de refugiados sírios mudou-se recentemente para o meu prédio, espero não ver comentários racistas, xenófobos e cheios de ódio sobre eles em meu feed de notícias.

Feito o desabafo, pretendo agora, de forma resumida, explicar o porquê dos ataques terroristas do Estado Islâmico em Paris. Por que Paris? Por que de todas as cidades, de todos os pontos de referência, de todos os lugares, por que Paris foi escolhida? Por que?

Vamos começar com o básico. O Estado Islâmico luta por algo. Algo grande, algo que vale a pena amarrar uma bomba na cintura e morrer por uma causa. Algo tão valioso que vale a pena matar outras pessoas e ser perdoado por isso. E esse algo tem haver com Paris.

Então, o que temos em Paris?

Paris é a capital mundial da moda, da alimentação e da arte. É a cidade do amor. Talvez a mais cosmopolita entre as capitais mundiais. E é também o berço do liberalismo e da tolerância. Paris é sinônimo de sociedade livre.

E é por isso que foi atacada.

A cidade não virou um alvo por suas posições políticas como Estado, mas sim por causa de seus princípios como pessoas.

Princípios como “Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos” e “A livre comunicação dos pensamentos e das opiniões é um dos direitos mais preciosos do homem” – filosofia progressista tirada da Declaração dos Direitos do Homem da França, de 1789. Pungente, o documento também inclui referências à fé, como em “Ninguém pode ser perturbado por suas opiniões, mesmo religiosas”.

Isso é o que os islâmicos – os radicais extremistas, obviamente – combatem. Esses militantes do Islã se opõem a liberdade de religião.

Foto: Denis Balibouse / REUTERS.

Como brasileiros, franceses, americanos e defensores da política com base nos direitos humanos, precisamos reconhecer que este ataque é uma afronta aos nossos valores. O que está sendo atacado é uma cultura. É mais do que uma coincidência que o Estado Islâmico tenha escolhido a capital do pensamento ocidental para seu ataque de sexta-feira.

Então, por que Paris? Porque nós somos Paris.

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28 anos, catarinense, escritor, empreendedor, growth hacker, guitarrista frustrado, marido da Laís. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016.

  • Cara.. Muito bacana sua posição.. E a explicação faz muito sentido!
    Porém em relação especial a Paris, acredito que o motivo tenha mais haver com os bombardeios que a França esta fazendo na Síria. A síria tem 3 estados politicos, os que defendem o atual presidente, os “Rebeldes” que querem derruba-lo e o estado Islâmico que está tentando mediar a situação (o que significa que eles combatem os dois lados quando preciso). A França, EUA, Russia e demais países da Europa estão se envolvendo no conflito. Os EUA pedem intervenção para acabar com o problema e a França segue o mesmo discurso (a velha história de levar a democracia e a civilização com bombas e armas). Os ataques a França são respostas aos bombardeios que foram feitos na Síria em alvos do Estado Islâmico. No fim.. Quem morre mesmo é o povo.. Que não tem nada haver com as disputa de poderes e interesses de seus lideres..

  • muito bom !