23 de julho de 2011 foi um dia chuvoso como hoje. Ao ler que a morte de Amy Winehouse completa 4 anos, me veio à memória aquele fatídico sábado em que ouvi numa estação de rádio as palavras “a cantora Amy Winehouse foi encontrada morta em sua casa“. Fiquei em choque. Fez-se um silêncio ensurdecedor entre os ocupantes do carro em que eu estava. Quando a locutora pronunciou seu nome, imaginávamos uma notícia do tipo “Amy Winehouse cai no palco“, “esquece a letra” ou então “é vista com cigarro suspeito“.

Pobre Amy. Dona da voz mais poderosa do século XXI – e aqui temos uma opinião pessoal –, em vida foi frequentemente mais lembrada pelo público em geral por causa do voyeurístico reality show que os tabloides ingleses transformaram a sua vida do que pelo seu talento musical fora do comum.

Talento que vi de perto em janeiro daquele mesmo 2011 em Florianópolis, Santa Catarina. A expectativa de muita gente – que estava ou não no show – era saber se ela iria aprontar alguma. Beber vodka, fumar maconha, desafinar, brigar com um fã ou cambalear pelo palco. A impressão era de que secretamente as pessoas desejassem que suas apresentações acabassem mal para que humoristas fizessem piadas prontas sobre ela.

Mas não foi nada disso que os presentes naquele outro sábado, o de 08 de janeiro de 2011, assistiram e ouviram. Pontual, sorridente e aparentemente saudável, a jovem baixinha, magricela, desajeitada e tímida, nos brindou com um vozeirão que não parecia pertencer àquele corpo frágil que sofrera com abusos de drogas e álcool.

Para desespero dos urubus que espreitavam a carniça, o show transcorreu bem. Entre um gole de água e outro, Amy cantou de forma deslumbrante os sucessos de Frank (2003) e Back to Black (2006). Saímos em êxtase com a certeza de que ela estava de fato reabilitada. Ninguém poderia imaginar que meses depois seria encontrada sem vida no nº 30 da Camden Square. Ninguém imaginava que jamais a veríamos novamente. Minha grande frustração daquela noite é ter ficado longe do palco.

Amy Winehouse,
Amy Winehouse, “Back to Black”, 2006.

Hoje, nesse 23 de julho de 2015, a melhor maneira de homenageá-la é ouvindo sua obra. O LP da foto também foi comprado na Rebel Rebel Records, famosa loja de discos de NYC que citei em outro post. Na época (setembro de 2014), eu e minha noiva percorremos a cidade atrás deste disco. Estava esgotado em três das quatro lojas que visitamos. Uma prova de que ela continua viva e jamais a esqueceremos.

28 anos, catarinense, escritor, empreendedor, growth hacker, guitarrista frustrado, marido da Laís. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016.