Spoiler: o dicionário define empatia como “a capacidade de se colocar no lugar do outro e entender o que ele sente ou faz sem julgamentos” e o texto a seguir contém elementos sarcásticos. O mesmo dicionário define sarcasmo como “ironia amarga, um modo de falar no qual o que se diz é o oposto do que se pensa”.

Ontem assisti o já clássico American History X (Uma Outra História Americana, na versão brasileira). O filme tem como tema central o ódio, usando como pano de fundo skinheads preconceituosos e xenófobos. Fico feliz que não tenhamos esse tipo de pensamento arcaico em nosso país.

Na última semana viajei de carro até Curitiba. Notei imigrantes haitianos e africanos (nota geográfica importante: o Haiti é um país que fica na América Central e a África um continente composto por 54 países e 9 territórios, ok?) trabalhando em postos de gasolina, lojas de conveniência e estacionamentos privados. Já havia lido diversos pensadores do centro filosófico chamado Facebook reclamando que esses caras estão tirando nossos empregos, assaltando nossos trabalhadores e estuprando nossas mulheres. No caso dos haitianos, por exemplo, é uma vergonha eles saírem de um país historicamente miserável e que recentemente foi devastado por um fenômeno climático para tentarem a sorte no Brasil, um país com um povo alegre e acolhedor apesar de todos os seus problemas.

Quem eles pensam que são? Europeus que colonizaram nosso país e escravizaram nossos negros? Brasileiros que partem em busca do sonho americano? Não, eles são só haitianos. Ou africanos. Eles não tem direito de levarem uma vida decente. Devem apodrecer junto das ruínas que restaram no Haiti ou então morrerem de malária ou AIDS na África.

Dizemos aos quatro cantos que somos o povo mais receptivo do mundo. Vimos isso na Copa do Mundo, mas tudo tem limite. Fizemos festa com os ganeses no último ano, mas quando a Copa acabou e eles resolveram ficar, viraram nossos inimigos.

A saída para nós, classe média trabalhadora e honesta do Brasil, é imigrarmos para Miami em busca de uma vida melhor. Quem sabe consigamos algum emprego que um nativo rejeitou. Talvez num posto de gasolina, numa loja de conveniência ou quem sabe num estacionamento privado. Quem sabe a terra do Tio Sam nos acolha para que tenhamos uma vida decente e direitos básicos. Quem sabe…

28 anos, catarinense, escritor, empreendedor e freelancer em marketing digital. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Escreve também no HuffPost e no Transformação Digital.