Entre as 8h30min diárias de trabalho, as aulas de inglês que leciono e as aulas online de francês das quais participo como estudante (hoje — ontem, já passa das 00:00 do dia 12 — é o dia do estudante, aliás) escrevo meu primeiro romance. Comecei a escrevê-lo ao final de 2013. De forma preguiçosa, confesso. Ele ganhou forma nos últimos meses. Porém, assim como Kafka — dadas as devidas proporções — esbarro nas burocracias provenientes da vida em sociedade. Ou seja, as 8 horas e 30 minutos nas quais estou trabalhando — afinal, ser escritor não é um trabalho.

E isso reflete no blog, por exemplo. As atividades citadas acima consomem meu tempo, impossibilitando-me de utilizar esse espaço de forma útil, inclusive. Não que eu o esteja fazendo neste exato momento. Estou escutando Radiohead (In Rainbows) enquanto tomo uma Lobkowicz — cerveja proveniente da República Tcheca, terra do Kafka, onde se passa a história do meu livro.

Não é fácil escrever um livro. A inspiração não é algo que apareça todos os dias. E, diferente do que sugerem os livros de autoajuda voltados para escritores de primeira viagem, escrever todos os dias mesmo que você não esteja inspirado não é legal. Nem um pouco legal. O texto fica uma bosta. Não flui. Assim como esse post não está fluindo. Apaguei dois parágrafos enquanto o cursor piscava, me encarando, forçando-me a pensar em algo melhor.

Talvez a bebida ajude a fazer o texto fluir. Ou quem sabe essa combinação de bebida e música. Faço isso em meu livro que um dia vocês irão ler, quando cito As Portas da Percepção, àquelas que deram origem ao The Doors. É uma viagem.

O fato é que não sou Keroauc ou Bukowski. Não estamos nos anos 50, 60 ou 70. Amanhã tenho trabalho. Muito trabalho. Tenho as aulas de inglês, também. Me falta tempo. Tempo é o que mais falta nessa sociedade pós anos 2000. Que bosta. Vocês leram que o Robin Williams se matou? Pois é. Depressão, dizem. Doença maldita. Esse mês aquele cara do Hermes e Renato também se suicidou. Às vezes dá vontade de jogar tudo pro alto e fazer igual o Supertramp, do Into The Wild. Às vezes. Só que não — outra doença em forma de meme dos anos 2000.

E a Faixa de Gaza? Ou o surto do vírus Ebola na África? Que bosta. Que sociedade de bosta. Em meio à isso tentarei terminar meu livro esse ano. Quem sabe. A certeza é que pouca gente o lerá. Pouca gente no Brasil lê — tirando frases de autoajuda no Facebook e piadinhas no WhatsApp. A propósito, que bosta esse WhatsApp. Quer dizer, as pessoas são uma bosta. O WhatsApp só explicitou isso.

Bom, vou dormir. Talvez amanhã eu escreva uma página do meu romance. Talvez não. Bem provável que não. Tenho que preparar minha aula de inglês pela manhã. A tarde tenho o trabalho normal. E a noite a aula. Devo chegar umas 23:30. Estarei cansado demais para escrever. Vou dormir e vai começar um novo dia. Mesma rotina. Só mais um dia nessa sociedade sem tempo pra nada que é a nossa.

Falando nisso, já passou da hora de eu ir dormir. Vou lá. Boa noite!

28 anos, catarinense, escritor, empreendedor, growth hacker, guitarrista frustrado, marido da Laís. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016.