Não sou contra a Copa do Mundo. Adoro Copas do Mundo. Assisti exaustivamente na infância o VHS da vitoriosa campanha brasileira na Copa de 1994 nos Estados Unidos. Chorei com Ronaldo — na época Ronaldinho — e cia na Copa de 1998 na França. Comemorei com o mesmo Ronaldo e com Ronaldinho, o Gaúcho, a Copa de 2002 na Coreia do Sul e no Japão. Decepcionei-me com o quadrado mágico da Copa de 2006 na Alemanha. Em 2010, na África do Sul, confesso que não fiquei triste com a eliminação brasileira, tanto pela teimosia irritante de Dunga, quanto pela perda do tesão em assistir futebol.

Sou contra o desperdício de dinheiro público, sou contra gastar bilhões de reais em estádios de futebol num país com educação e saúde precárias, sem infraestrutura e segurança pública. Sou contra promessas não cumpridas como esta, da então Ministra da Casa Civil e hoje Presidente da República, Dilma Rousseff.

Assim que começaram as vendas dos ingressos para a Copa do Mundo no Brasil — antes do sorteio dos grupos —, por mais que eu seja contra o país sediar um evento deste porte pelas razões que citei acima, decidi que veria algum jogo em Porto Alegre, juntamente com minha excelentíssima namorada. Seria, muito provavelmente, nossa única oportunidade de vermos uma Copa do Mundo no Brasil, por mais que isso soe hipócrita por eu ser contrário a sua realização aqui.

Com os ingressos comprados, restava esperar o sorteio. Imaginávamos ver o super time da Alemanha, a Argentina de Messi, a Holanda de Robben ou quem sabe a seleção de Portugal de Cristiano Ronaldo. Dia 06 de dezembro do último ano, a notícia: assistiríamos o embate entre… Coreia do Sul e Argélia. A reação inicial foi de desapontamento, lógico. Mas, hoje, 3 meses após o sorteio, passei a aceitar e a tentar enxergar o lado bom desta pelada grande partida.

A Coreia do Sul disputará sua 9ª edição de Copa do Mundo. Também pudera, disputa a fraca eliminatória asiática. Em 2002, jogando em casa e no Japão, conseguiu com a ajuda da arbitragem chegar às semifinais, terminando a competição em 4º lugar. Conheço dois sul-coreanos: Hong Myung-Bo, zagueiro mítico dos tempos de Winning Eleven 2000 — que por acaso hoje é o treinador da seleção —, e Park Ji-Sung, ex-Manchester United, que continua em atividade, mas não joga pela seleção nacional desde 2011. O time atual é uma incógnita pra mim. Pesquisando vi que um ou outro joga na Europa, mas sem nenhum destaque.

Os argelinos disputarão sua 4ª Copa do Mundo. Seus maiores feitos foram uma vitória em 1982 contra a Alemanha Ocidental e uma derrota para o Brasil em 1986. Em 2010, terminaram em 28º lugar, entre 32 seleções. O jogador mais famoso da história do país é Zinedine Zidane. Isso mesmo. Zizou é filho de pais argelinos, mas nasceu na França e construiu sua carreira por lá. Ou seja, nenhum jogador da seleção da Argélia merece destaque, seja do passado ou do presente.

Dia 22 de junho de 2014, em Porto Alegre, Coreia do Sul e Argélia se enfrentarão em um duelo de horrores histórico. Histórico para mim e minha namorada, pelo menos. O dia em que vimos um jogo da Copa do Mundo. A expectativa é de vários gols. Em um grupo com Bélgica e Rússia, provavelmente será a única oportunidade de uma das duas seleções voltar para casa com uma vitória. Os times darão o máximo, podem apostar. O talento será substituído pela força de vontade. Aquela história clichê de colocar o coração na ponta da chuteira. O futebol como esporte, não o futebol como negócio. O futebol paixão que mobiliza multidões ao redor do mundo.

Assistir Espanha x Holanda ou Alemanha x Portugal é muito mainstream, é modinha. Quem é indie e gosta de futebol de verdade viaja mais de 300KM para assistir Coreia do Sul x Argélia no estádio num domingo à tarde.

28 anos, catarinense, escritor, empreendedor e freelancer em marketing digital. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Escreve também no HuffPost e no Transformação Digital.