Hoje acordei cedo e fui cortar o cabelo. Desde o final de dezembro meu meio de transporte tem sido uma bicicleta e tenho sentido na pele como é ser um ciclista no Brasil. Sim, no Brasil, porque sei que não resume-se a um problema apenas da minha cidade. Ser ciclista no Brasil é coisa de vida loka, é viver perigosamente.

Segui meu caminho desviando dos carros, usando os acostamentos – quando eles existem e não estão ocupados por algum tiozão com o pisca-alerta ligado esperando sua mulher “pagar uma continha” -, subindo nas estreitas calçadas e desviando dos pedestres. Sabe o que é pior? Não posso reclamar nem dos carros, nem dos pedestres. No final das contas, o errado sou eu. Mas, onde andar com minha bicicleta senão entre os carros e pedestres?

Porém, a acessibilidade – ou melhor, a falta dela -, não é o único problema do ciclista vida loka brasileiro. No meio do caminho, parei no Banco do Brasil. Deixei minha bicicleta cadeada junto a uma placa de trânsito, já que a maioria dos estabelecimentos não possui bicicletários. No cabeleireiro, não foi diferente. Tive que estacionar minha bike num supermercado que fica há cerca de 500m do salão. Mais uma vez, o errado da história sou eu. Onde já se viu? O estacionamento é apenas para clientes!

O jeito, pra quem não tem carro – seja por estilo de vida ou por não pertencer a nova classe média e usufruir do IPI reduzido -, é usar nosso eficiente transporte público. Da próxima vez, irei de metrô. Ah, não, pera!

28 anos, catarinense, escritor, empreendedor e freelancer em marketing digital. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Escreve também no HuffPost e no Transformação Digital.