“Não adianta querer que nos tratem como na Alemanha se nós ainda somos brasileiros. E brasileiros no sentido mais pejorativo e preconceituoso da palavra ‘brasileiros’.”

Quem disse isso foi Fábio Porchat, no Estadão (vale a leitura). Concordo com o Fábio. Com todo o texto. Por vários motivos. Conheço a Alemanha e seu povo educado. Berlin é a cidade mais fantástica que tive o prazer de conhecer. Um lugar onde 3,5 milhões de pessoas vivem de forma organizada e civilizada. Como brasileiro, conheço nosso povo mal educado. E aqui entra aquela máxima de que “o problema do Brasil são os brasileiros”.

Hoje voltava de Curitiba (PR), talvez a capital brasileira que mais se aproxime da civilidade de Berlin — dadas as devidas proporções —, quando fiquei preso no engarrafamento crônico da BR-101 em Laguna (SC). Obviamente a culpa maior pelas longas filas é da obra de duplicação que se estende há vários anos. Porém, o tempo perdido no trânsito poderia ser menor se não fosse o jeitinho brasileiro, a malandragem.

Explico.

Boa parte da duplicação está pronta. Acontece que, em um trecho antes do trevo de Laguna, a pista ainda é única, então há um afunilamento. Questão básica de física: dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço. Por isso as filas. Só que isso não é problema para o malandro brasileiro. Vi vários espécimes desse patrimônio nacional cortando caminho pelo acostamento ou pegando vias alternativas. Como uma hora eles precisam voltar para a via correta, aquela do cidadão honesto que cumpre as regras, alguém precisa abrir espaço para o malandro. Alguns até fazem sinal de positivo para quem os deixou entrar. Afinal, o malandro é gente boa. E a cada malandro que consegue entrar na estrada, o trânsito deixa de fluir. Porque como já sabemos, dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço.

Depois de algum tempo o malandro chegará ao seu destino. No almoço com a família, se gabará de ter chego em casa em bem menos tempo do que quem provavelmente ainda está na fila. Fará a piada do “é pavê ou pacomê”. Endeusará Joaquim Barbosa pela prisão dos mensaleiros, afinal, Joaquim é um exemplo em meio a esse país corrupto. “Ele é o cara”, provavelmente bradará o malandro.

O problema, caro malandro, é que você, é o culpado pela corrupção. Você, com seu jeitinho brasileiro, é o culpado pelo mensalão. Você, me dá nojo.

28 anos, catarinense, escritor, empreendedor e freelancer em marketing digital. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Escreve também no HuffPost e no Transformação Digital.