Como meus dois leitores já devem ter percebido, meu mundo gira em torno de música. Já devem ter percebido também que sou fã dos Arctic Monkeys e, inclusive, é possível que eu já tenha tomado umas com o Alex Turner.

No meu último post específico sobre música, indiquei um álbum lançado ano passado, o Kill For Love, do Chromatics. Dessa vez voltarei um pouco mais no tempo e falarei sobre um álbum de 2009, o meu favorito de todos os tempos. Trata-se de Humbug, dos Arctic Monkeys, é claro.  Eu poderia escrever sobre o recém-lançado AM, novo disco dos Macacos, que assim como o Humbug dividiu os fãs quanto a sua aceitação, — e eu particularmente achei incrível —,  mas o farei daqui uns anos. Explico porquê: as pessoas tem dificuldade em aceitar o novo, o agora criticado AM deve ser descrito como obra-prima daqui uns anos, por isso ainda não é o momento de escrever sobre ele.

Não sei onde eu estava entre 2006 e 2008 que conheci os Arctic Monkeys apenas em 2009, quando o clipe de Crying Lightning foi lançado na falecida MTV Brasil. Minha namorada, que na época era só minha amiga, já havia me falado sobre eles, mas como sempre achei que se tratava de uma banda de metal vinda da Finlândia (não me pergunte porquê), nunca dei bola. Achei Crying Lightning incrível e minha namorada, fã old school, detestou, é claro. Foi assim com a maioria dos fãs que acompanharam a banda desde o início. Resolvi então ouvir os aclamados Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not e Favourite Worst Nightmare, álbuns anteriores da banda, e virei fã.

Quando Humbug finalmente vazou, percebi a diferença na sonoridade da banda. Minha namorada também. Ela detestou. Eu curti cada segundo do disco e ousei dizer a ela que era o melhor da carreira do quarteto inglês. Ela disse que eu só poderia estar louco. Se algum fã mais exaltado ouvisse isso na época, me chamaria de poser, como sempre acontece.

Capa de Humbug (2009).
Capa de Humbug (2009).

Mas por que Humbug é tão especial? Só o fato de a banda sair de sua zona de conforto e experimentar algo novo, em meio a tantas bandas fazendo mais do mesmo, já é digno de aplausos. Fazer isso com excelência, então, é deixar um legado. Auto-plagiando meu post sobre o Kill For Love (que arrogância), “gosto de ouvir álbuns completos, na sequência em que o artista escolheu que ouvíssemos. Me sinto um estranho em meio a uma geração que consome singles aos montes, de artistas que serão esquecidos daqui um mês ou dois”. Eu amo cada segundo do Humbug. Sempre o escuto inteiro, na sequência.  Não importa qual o humor que estou, ele nunca perde sua magia. Foi assim nos últimos 4 anos. O álbum mistura um clima western, que serviria perfeitamente como plano de fundo para uma tarde de produção de metanfetamina de Walter White e Jesse Pinkman no deserto, na primeira temporada de Breaking Bad, com psicodelia e as guitarras pesadas do stoner rock, graças ao dedo de Josh Homme, do excelente Queens of the Stone Age, que produziu o disco.

Quase 5 anos após o lançamento, críticos e muitos fãs já enxergam Humbug como o melhor álbum da banda. Inclusive minha namorada. Isso pode acontecer com o AM daqui uns anos, mas, como já disse, não é o momento de falarmos sobre ele.

É difícil descrever algo que você sente quando escuta uma música ou vê um filme. Partindo deste princípio, encerrarei o post com o vídeo de uma transmissão via web que os Arctic Monkeys fizeram em 2009 para divulgarem o disco. Nela, eles tocaram 4 músicas do álbum e uma cover de Red Right Hand, de Nick Cave and The Bad Seeds. No vídeo dá para sentir o “clima Humbug”, algo difícil de transformar em palavras. Assistam, escutem e deixem-se levar pela música.

27 anos, catarinense, escritor, empreendedor, growth hacker, guitarrista frustrado, marido da Laís. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Sócio do Crush Design — uma das 100 startups mais inovadoras do estado de Santa Catarina.