Já deve ter uns 5 minutos que estou olhando para essa tela em branco. O cursor da caixa de texto pisca como se fosse uma contagem regressiva, como se meu tempo estivesse acabando. De certa forma, está. O horário de verão tirou uma hora do meu final de semana. O Fantástico está chegando ao fim, sinal de que a segunda-feira se aproxima. Com ela, mais uma semana de trabalho. A melancolia toma conta de mim.

O tempo está passando. Rápido, muito rápido. A casa que passei minha infância não existe mais. A que passei minha adolescência está à venda. Minha banda favorita não é mais o Blink-182, agora prefiro os Arctic Monkeys. Kurt Cobain está morto há quase 20 anos e minha fita K7 com músicas do Nirvana gravadas de uma rádio não existe mais. A rádio provavelmente também não. Assim como o tocador.

Meus amigos mudaram. Eu mudei. A vida adulta chegou e sei que ela pode ser muito mais do que financiar um apartamento e bater ponto das 8 às 18, de segunda à sexta. Falta algo. Tenho que descobrir o quê antes que o tempo acabe. Hoje ele acabou antes que o cursor parasse de piscar, junto com o Fantástico.

27 anos, catarinense, escritor, empreendedor, growth hacker, guitarrista frustrado, marido da Laís. Eleito pelo LinkedIn como o terceiro brasileiro mais influente da rede em 2016. Sócio do Crush Design — uma das 100 startups mais inovadoras do estado de Santa Catarina.